Ódio nas redes sociais afeta os que tentam utilizá-la para debater assuntos sérios

@Gaúcha ZH/Zé Victor Castiel


A ânsia por punição sem julgamento e a profusão de opiniões furadas nas redes sociais estão tornando a vida muito chata. A maioria dos perfis de Facebook critica tudo e todos de forma tão violenta, que transformou a reflexão equilibrada numa exceção.


Isto afeta diretamente a todos que se utilizam das redes sociais para tentar abordar algum assunto sério, pertinente ou instigante. Afeta, inclusive, a milenar arte de fazer humor. 

Com esta prática rudimentar, criaram-se, inclusive, novos tipos de usuários. 

“Fiscal de internet” já é quase uma profissão e está se transformando em uma das atividades mais comuns entre nós. Pregar moral de cuecas é, hoje, um exercício mais praticado do que os aeróbicos nas academias de ginástica.


Poderia citar aqui centenas de situações que acontecem diariamente e que proporcionam as mais diversas modalidades de execrações públicas, maledicências e, não raro, calúnias e difamações.


Machismo, assédios, intimidações, racismo, homofobia, xenofobia e todos os tipos de práticas discriminatórias deveriam ser combatidas no dia-a-dia através de ações legítimas e que fossem praticadas, efetivamente, por cada um de nós. O que vemos, no entanto, é, na maioria,  um bando de hipócritas deitando cátedra pelas redes sociais e que não resistem a uma breve leitura retroativa de seus posts.


Existem, inclusive, aqueles que se dão ao trabalho de criar personagens de internet, os chamados fakes, só para destilarem seus ódios e emitirem as opiniões que jamais teriam coragem de exprimir dando a cara à tapa. Aqui identificamos mais uma “quase profissão”: o valentão de internet.


Comentários contundentes, textões, opiniões roubadas e publicações de verbetes filosóficos parecem trazer uma falsa e passageira segurança para pessoas que têm uma fenda na autoestima.


Estivéssemos num país que realmente zelasse pelo cumprimento de sua Carta Magna e teríamos evitado que os preceitos mais basilares e seculares não fossem ignorados através da certeza da impunidade cibernética. 


Fica a convicção: é preciso criar um mecanismo para atribuir a cada cidadão a responsabilidade por aquilo que faz, diz, escreve e posta.


Tenho a tese de que a internet acabou com palco e plateia. Todos querem ser protagonistas, mesmo que de uma maneira imoral ou ilegal. Este palco, de tão pesado, vai acabar ruindo.

Preferia estar, hoje, falando sobre os benefícios da internet para a difusão da cultura e de outros profícuos assuntos, mas isto parece impossível nos dias de hoje, com a honrosa exceção dos sítios jornalísticos sérios. 


Até porque o ódio gera mais “likes”.

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