A difícil, mas importante tarefa de produzir leite

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Grande parte da população urbana, talvez, não saiba o quão difícil é produzir leite. Nos últimos meses, temos visto uma grande variação dos preços do produto nas gôndolas dos supermercados, o que muitas vezes gera reclamações. No entanto, o que não fica claro para muitas pessoas, é que o produtor rural, mesmo com a alta nos preços cobrados do consumidor, não vê sua rentabilidade aumentar.


A produção de leite é a segunda maior em faturamento no Brasil (perdendo apenas para a de carnes e derivados), está presente em 99% dos municípios brasileiros, emprega cerca de 4 milhões de pessoas e é transformado em quase uma centena de produtos, desde queijos, iogurtes e até xampus. Diante disto, podemos afirmar que a cadeia é a que mais gera empregos no campo e a única presente em todo o território nacional. No entanto, devido aos muitos problemas enfrentados, é uma das mais complexas do setor primário.


A alta tributação, as fracas barreiras contra a entrada de leite importado e o custo de produção, que de acordo com a FETAG-RS, nos últimos 6 meses teve reajuste de 35,6% na ração e 14,5% nos fertilizantes, fizeram com que muitas famílias abandonassem a atividade, o que vai na contramão da necessidade que o país tem de aumentar e qualificar a produção leiteira, principalmente quando se pensa em exportação.


Estudos afirmam que a demanda chinesa por leite e derivados deverá subir consideravelmente até 2024, chegando a 40% quando comparada a 2014 em leite em pó integral e até 80% em relação ao mesmo período para leite em pó desnatado.


Porém, para que a produção possa ser mais qualificada, é necessário que o Brasil resolva diversos problemas que afligem o produtor e tiram a competividade do leite brasileiro, tais como a legislação tributária, que precisa ser modernizada para acabar com a guerra fiscal entre estados, melhorar a infraestrutura de estradas, acessos, internet e de energia elétrica no meio rural, acesso ao crédito rural oficial com taxas de juros compatíveis à redução da SELIC e a oferta de assistência técnica continuada e orientada aos produtores.


Dentro desta importante cadeia, o Rio Grande do Sul se destaca ao ser o terceiro maior produtor nacional, perdendo apenas para Minas Gerais e o Paraná. Com uma produção de 4,2 bilhões de litros em 2019, que se calculado em valores atuais, representaria um valor bruto de produção de R$ 6,9 bilhões anualmente. Ou seja, a pecuária de leite em centenas de munícipios gaúchos é a força motriz da economia local que acaba impulsionando diversos outros setores.


Recentemente, a FETAG-RS, em nota, cobrou medidas governamentais que auxiliem a cadeia, dentre elas, a suspensão da importação de leite vindos da Argentina e do Uruguai, que entram no país mais baratos e tiram a competitividade do produto gaúcho e o fortalecimento dos estoques públicos de milho da CONAB para apoiar os produtores atingidos pela estiagem.


Para o presidente da FETAG-RS, Carlos Joel da Silva, “A pecuária de leite no Rio Grande do Sul está se encaminhando para o colapso, pois os produtores estão tendo de enfrentar duas estiagens seguidas. A silagem produzida foi de baixíssima qualidade, as pastagens foram duramente prejudicadas com a irregularidade das chuvas e o milho e a soja além de estarem escassos estão com um preço elevadíssimo. É necessário e urgente uma política agrícola eficiente e sensível às demandas históricas do setor”.


Joel acrescenta que, até o momento, “os governos do Estado e da União nada fizeram para solucionar os problemas, que precisam ser resolvidos de forma urgente, pois os agricultores e os pecuaristas familiares não podem esperar mais”.


Foto: Fernando Dias/Seapdr

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