Alta do dólar deve elevar preços de combustíveis e alimentos no RS

@Leonardo Vieceli /Gaúcha ZH


O bolso dos gaúchos não deve ficar imune à alta do dólar. Com a recente disparada na cotação, que ganhou fôlego em agosto, os consumidores tendem a sentir impactos sobre preços de produtos como combustíveis e alimentos fabricados a partir de commodities. Isso acontece porque os valores das matérias-primas estão sujeitos a oscilações da moeda americana no mercado internacional. 


Nesta quinta-feira (30), o dólar fechou em alta de 0,78%, cotado a R$ 4,1463. À tarde, chegou a alcançar R$ 4,2085, mas perdeu gás em seguida, após intervenção do Banco Central (BC), e ficou abaixo do maior nível histórico na era do real, de R$ 4,163. A moeda americana acumula avanço de 10,4% em agosto e de 25,1% no ano.


Segundo analistas, o tempo para os efeitos da recente disparada serem sentidos depende de fatores como estoques disponíveis em empresas. No grupo das commodities influenciadas pela escalada do dólar está o trigo, que serve de base para pães. Pesquisa da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) indica que o valor médio de cem gramas do cacetinho passou de R$ 0,79 para R$ 0,86 entre as últimas semanas de dezembro de 2017 e de agosto — no ano, 8,9%. 

— O dólar mais alto tem impacto em diversos produtos, mas o setor está segurando parte dos reajustes porque a demanda continua fraca. A situação preocupa porque os custos vêm aumentando no setor — explica o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo.


Vice-presidente do Sindipan-RS, que representa as indústrias de panificação no Estado, Arildo Bennech Oliveira avalia que, a partir da disparada da moeda americana em agosto, a tendência é de novas altas em itens à base de trigo:


— Estamos apavorados. Esperamos que o dólar não se mantenha nesse patamar por muito tempo. Cerca de 80% do trigo é importado.


Outra pressão ocorre sobre os combustíveis. A Petrobras comunicou que elevará a partir de hoje o preço do litro da gasolina nas refinarias para R$ 2,1375. 


É o mais alto desde o início da série de reajustes quase diários, iniciada em julho de 2017, com o objetivo de acompanhar a variação do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional. Apesar de ter chegado a 8,6% nas refinarias neste mês, a alta não teve efeitos nas bombas nas últimas semanas, aponta a Agência Nacional do Petróleo (ANP). De 29 de julho a 25 de agosto, o preço médio da gasolina nos postos do Estado passou de R$ 4,717 para R$ 4,620, redução de 2,1%. 


Presidente do Sulpetro (que reúne os postos no Rio Grande do Sul), João Carlos Dal’Aqua afirma que as recentes altas nas refinarias ainda não respingaram no bolso dos consumidores devido à “competição própria do mercado”. Frisa, porém, que os reajustes da Petrobras tendem a pressionar os valores nas bombas. 


— Um empresário pode segurar por um momento os preços, e outros acompanharem sua decisão, por exemplo. O mercado é competitivo — defende.


A alta no dólar também tem reflexos no turismo. A previsão de aumento nos gastos no Exterior pode levar consumidores a repensar suas viagens.


— As pessoas compram pacotes com cada vez maior antecedência. Não há grandes mudanças no curto prazo. Mas pode haver impacto nas viagens no final de ano e no início de 2019 — projeta a vice-presidente de relações institucionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Estado, Rita Vasconcelos.

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