Após denúncias de assédio, MP avalia abrir inquérito para apurar improbidade do prefeito

@ZeroHora

A promotoria de Justiça de Não-Me-Toque, no norte gaúcho, instaurou procedimento para avaliar as provas obtidas pela Polícia Civil na investigação sobre denúncias de assédio sexual contra o prefeito do município, Armando Carlos Roos (PP). Caso considere pertinente, o Ministério Público pode abrir um inquérito civil para apurar se os atos do político configuram improbidade administrativa, o que pode resultar na cassação do mandato.


Os fatos investigados são os mesmos das denúncias feitas pelas servidoras, que afirmam ser ameaçadas de rebaixamento de função ou de demissão caso não aceitassem as investidas sexuais do prefeito. A apuração foi dividida em dois grupos: a Procuradoria dos Prefeitos investiga, já com inquérito instaurado, os supostos assédios. Já a promotoria local fica responsável somente pela esfera administrativa.


O promotor Leandro Bonatto é o responsável pela apuração no município. Ele informou que deve ter a resposta sobre a abertura ou não do inquérito por improbidade nos próximos dias. Bonatto disse que prefere não comentar, por enquanto, o seu entendimento sobre as denúncias.


Denúncias de assédio sexual


Após pedido do MP, a Polícia Civil investiga duas denúncias de assédio sexual contra o prefeito de Não-Me-Toque. Uma delas foi gravada em vídeo pela vítima. De acordo com a mulher, em troca de cargo na administração municipal, o prefeito teria pedido favores sexuais.


No vídeo, o prefeito investe:

— (Posso) deixar a empregada sem vir uma tarde no apartamento, mas teria que ser na semana que vem, porque que na outra tu (funcionária) já começa.

A mulher recusa o convite, alegando que tem faxinas a fazer, e Roos responde:

— Eu não quero namorar de graça.

A vítima foi desligada da prefeitura. Ela também teve deferido um mandado de proteção por meio da Lei Maria da Penha, já que vinha sendo ameaçada por um perfil não identificado no Facebook. Em um dos trechos da ameaça, o perfil a lembrou do que ocorreu com a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada a tiros em março no Rio de Janeiro.

O que diz o prefeito

Em nota divulgada na terça-feira (4), o prefeito afirma ter sido "surpreendido" pelas denúncias. Segundo ele, "a suposta vítima utilizou-se da confiança do prefeito para gravar o referido vídeo, e somente um ano depois vem a público divulga-lo, após a sua exoneração".


"O prefeito ainda não foi citado da ação penal referente ao fato noticiado, tendo sido surpreendido através das redes sociais com a divulgação de documentos referente ao inquérito policial, sendo que está tomando as providencias cabíveis quanto a responsabilização das pessoas e entidades envolvidas com a publicidade indevida dos documentos e vídeo de caráter pessoal", diz o texto.

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