Atraso escolar afeta mais de um terço dos estudantes gaúchos

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@Diário da Manhã/ Ana Cláudia Capellari

De acordo com um estudo divulgado na semana passada pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio Grande do Sul (Seplag), a cada 100 estudantes do ensino médio gaúcho, mais de um terço está com atraso de dois anos ou mais. A distorção no RS chega a 34,7%, enquanto que no Brasil a taxa ficou em 28,2%.

No ensino fundamental estadual a cada 100 alunos, 19,9 estavam na mesma situação. A divulgação desses dados – que são de 2018 – ocorreu após uma equipe do governo gaúcho visitar o estado do Ceará, que conseguiu melhorar seus indicadores na educação por meio de novos critérios no rateio do ICMS.


Além disso, os índices de aprovação no Estado são algo que se devem buscar melhorias: no ensino fundamental, 88% dos estudantes foram aprovados em 2017, enquanto a nível nacional, 91% foram. No ensino médio, as taxas podem ser consideradas ainda mais baixas: 72,8% dos alunos gaúchos ‘passaram de ano’; na média brasileira, 83,1% foram aprovados.


Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo (UPF), Rosimar Esquinsani, as reprovações, sejam no ensino fundamental ou médio, são deficitárias, seja do ponto de vista humano ou pedagógico. “Do ponto de vista do sistema de ensino, temos um ‘represamento’ de demanda e um investimento financeiro que se mostrou ineficaz e no lado humano temos um sujeito que, por mais que eu justifique, ele carregará o estigma do fracasso”.


Para reverter esse quadro exposto pelo estudo, Esquinsani diz que é preciso um “esforço coletivo”. “Os sistemas precisam investir em políticas de correção de fluxo, que podem ser tanto a formação de professores, quanto aulas de apoio ou programas de avaliações diferenciadas”. Ela acredita que o papel da família é essencial para combater e diminuir os índices, mas que elas precisam “assumir sua parte da educação escolarizada”.

“Precisam controlar as tarefas de casa, acompanhar provas, estudar com o filho, ou, no mínimo, perguntar como ele está na escola”.  Já no que concerne as escolas, a professora destaca que é necessário haver um planejamento coletivo, sempre com a visão de que se deve melhorar as estratégias de ensino. “Cada um deve fazer a sua parte”, indica.


Distorção de idade série no Ensino Médio

RS: 34,7 a cada 100 alunosBrasil: 28,2 a cada 100


Distorção de idade série no Ensino Fundamental

RS:19,9 a cada 100 alunosBrasil: 17,2 a cada 100 alunos


ALUNOS DE DIFERENTES IDADES NA MESMA SALA

Rosimar alerta que quanto mais jovem for o aluno, mais diferença faz a distância etária, já que um aluno de 14 anos do primeiro ano do ensino médio tem interesses e experiências diferentes de outro aluno com 17 anos “Se por um lado é positiva a convivência plural, por outro lado alunos muito mais velhos podem se sentir deslocados nas turmas, pois seus interesses serão outros”, destaca.


ENSINO FUNDAMENTAL

No ensino fundamental, que abrange as séries do primeiro ao nono ano, o atraso escolar é mais complexo, avalia a professora. “Se o aluno reprova no ensino médio, ele assume um posicionamento de enfrentamento e no fundamental a criança ou pré-adolescente está mais vulnerável e essa reprovação pode causar danos”. Esses danos, para Esquinsani, podem ser vistos na possibilidade de aprendizagem. “Sem contar que quanto menor a criança, mais diferença faz a distância entre as idades e mais descolado estará o aluno repetente”.


O QUE DIZ O GOVERNO DO ESTADO

O secretário estadual da Educação, Faisal Karam, acredita que o panorama apresentado deve ser mudado com ações que reforcem os aspectos pedagógicos nos primeiros anos escolares e que combata a evasão. Ele cita que dos 860 mil matriculados no início de 2019, quase 110 mil alunos não compareceram as salas de aula.

Durante a divulgação do estudo, Karam disse que o governo tem a intenção de implantar até o final do próximo ano um sistema de ‘chamada eletrônica’ dos alunos. Esta medida aliada ao reforço pedagógico e a qualificação dos professores pode fazer com que o ensino médio seja atrativo para os jovens.

Foto: Arquivo | Diário

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