Doenças virais em crianças têm alta após volta às aulas

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Doenças virais respiratórias em crianças tiveram alta no País nos últimos dois meses. O reaparecimento das populares viroses coincide com o período em que houve aumento de alunos frequentando as aulas presenciais. Um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última quinta-feira, alertou para o reaparecimento de outros vírus, que têm causado Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças de 0 a 9 anos. O registro desses outros vírus, que havia caído no ano passado, agora já ultrapassa a Covid-19 em número de casos.


Especialistas avaliam que a volta da circulação dessas doenças, que comumente afetam crianças, era esperada com o retorno às atividades presenciais. Eles ressaltam que a população dessa faixa etária ficou protegida no ano passado, com o fechamento das escolas, e pode agora ter "memória imunológica" menor.


Apesar de o aumento ser esperado, o reaparecimento desses vírus mostra a importância de manter e reforçar os protocolos sanitários de segurança, como o uso de máscaras e ambientes bem ventilados.


Segundo o documento da Fiocruz, as crianças de até nove anos estão sendo mais internadas por casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e de renovírus, que haviam praticamente sumido dos painéis de acompanhamento no ano passado com as regras de isolamento. Também houve aumento de casos positivos para bocavírus, parainfluenza 3 e parainfluenza 4 nessa faixa etária.


Esses vírus voltaram a crescer no fim do ano passado e início de 2021, exatamente o período em que alguns estados liberaram a reabertura das escolas. O aumento se intensificou a partir de agosto, com a maior adesão da volta às aulas presenciais no País. "São vírus que anualmente observamos como causa importante de internação em crianças, mas que praticamente sumiram no ano passado e agora voltam a aparecer com a maior exposição desse grupo com o retorno às aulas presenciais", explica o coordenador do InfoGripe e pesquisador da Fiocruz, Marcelo Gomes.


Segundo o boletim do InfoGripe, a incidência de SRAG está estável entre crianças, mas com média ainda considerada elevada, de 1.000 a 1.200 casos semanais - índice semelhante ao de junho de 2020. Os dados do adoecimento entre os que têm de 0 a 9 anos vão na contramão dos das faixas etárias mais velhas, em que a ocorrência da síndrome é agora a menor desde o início da pandemia.


A análise dos casos entre crianças também indica que o reaparecimento de outros vírus respiratórios é mais presente na região centro-sul do país, exatamente onde mais alunos puderam retornar às aulas presenciais.