Elas pilotam na direção de mais espaço nos céus da aviação agrícola brasileira

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@GISELE LOEBLEIN/Gaúcha ZH


Uma nasceu no Rio Grande do Sul, alçou voos rumo ao Centro-Oeste e, de volta ao Estado de origem, ensina as lições aprendidas nos céus da produção brasileira. A outra tem saiu do Brasil Central para buscar conhecimento e formação no espaço aéreo gaúcho. Em comum, Joelize Friedrichs, 31 anos, e Lillian Gabriella  Rodrigues Leal e Santos, 27 anos, têm a paixão pela aviação agrícola e, em breve, ficarão lado a lado na restrita lista de mulheres com habilitação para a atividade no país. Com a formatura de Lillian, prevista para o mês de outubro, serão nove, segundo levantamento do sindicato das empresas do setor, o Sindag, com licença vigente. 


A participação feminia vai além, tendo na paulistas Ada Rogato uma pioneira. No final da década de 1940, ela ganhou notoriedade por feitos como o de ser a primeira (entre homens e mulheres) a cruzar a selva amazônica, a primeira aviadora a chegar à Terra do Fogo, primeira mulher a atravessar os Andes e a chegar até o Alasca, entre outras proezas, que incluem a função de piloto da aviação agrícola. 


O espaço a ser conquistado é imenso: as atuais habilitações femininas contrastam com os cerca de 1,6 mil registros de pilotos homens. Hoje instrutora em Carazinho, no norte do Estado, Joelize se formou piloto agrícola em 2012. Mas a atração pelos voos veio cinco anos antes. Inicialmente, a ideia era ingressar no mercado da aviação comercial. Trabalhou dois anos em táxi aéreo no Mato Grosso, retornando ao Estado para atuar como instrutora. E acabou sendo despertada para o ramo agrícola, tendo exercido a função durante quatro anos em Goiás, e depois no território gaúcho. 


— Ainda somos bem poucas — avalia a piloto de aviação agrícola, hoje também instrutora e sócia de uma empresa do setor.


No Brasil, existem cinco escolas de trainamento para aviões agrícolas e uma para helicópteros. Foi a expertise do Estado, berço da aviação agrícola, que trouxe a mato-grossense Lillian  para cá em 2019. De família com origem o campo, desde cedo se interessou pela profissão:


— Tá muito ligado com toda minha história, desde o início. A primeira coisa que dirigi depois da bicicleta foi um trator. Sempre gostei de aeronaves e, quando descobri que já tinha desenvolvido a pulverização aérea me interessei ainda mais.


A piloto enxerga um grande potencial para as mulheres no setor em razão de características como ser cuidadosa, cautelosa,detalhista, caprichosas, organizadas. Entre os fatores que podem ajudar a explicar o número ainda reduzido cita o grau de periculosidade da profissão e também o tabu ainda existente. 


— Tem que gostar muito dessa lida, tem que querer, porque não tem glamour nenhum — completa Lillian.


Curiosidades 


  • O curso para ser piloto de aviação agrícola dura, em média, 45 dias. O pré-requisito é que tenha um minímo de 370 horas de voo

  • São ensinadas técnicas de aplicação dos produtos utilizados na pulverização aérea e como fazer voo baixo — em média, a aeronave fica a cerca de 3 metros de altura sobre a cultura

  • A aplicação aérea é regida por conjunto de leis próprias e protocolos a serem seguidos

  • A aviação agrícola originou-se no Rio Grande do Sul, em 1947, quando da ocorrência de um ataque de gafanhotos registrado na região de Pelotas.

  • No Estado, a cultura que mais utiliza a pulverização aérea é o arroz. Mas o sistema também ganha terreno em outras lavouras, como as de soja, milho e trigo

  • O Brasil tem a segunda maior frota de aeronaves agrícolas, ficando atrás dos Estados Unidos. No país, a liderança é do Mato Grosso (524 unidades), ficando o Rio Grande do Sul em segundo lugar (426) 

Link original da matéria: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/gisele-loeblein/noticia/2020/10/elas-pilotam-na-direcao-de-mais-espaco-nos-ceus-da-aviacao-agricola-brasileira-ckg5icfqb0010015x4d23w4nm.html

Foto: Anderson Artmann / Divulgação



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