Os R$ 500 do FGTS não pagam nem os boletos atrasados

#PortalEstaEmTudo

@Gaúcha ZH

@Colunista: GIANE GUERRA

A informação de que os saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) serão limitados a R$ 500 frustrou os brasileiros que já estavam fazendo planos para o dinheiro. Os primeiros vazamentos falavam em até 35% do saldo, mas o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, confirmou o novo teto de valor ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Ou seja, expectativas foram geradas e não só nos consumidores, já que alguns analistas chegaram a elevar suas projeções de crescimento do PIB do país em 2019. 

— Infelizmente, este valor não irá motivar grande parte da população que teria condições de movimentar de fato a economia — comenta o presidente da Sicredi Pioneira, Tiago Luiz Schmidt .


Um dos comentários mais frequentes enviados pelos leitores da coluna Acerto de Contas é: "Não dá nem para pagar os boletos." Claro que depende do tamanho da dívida de cada pessoa, mas, se o cidadão estiver na média do brasileiro, não dá mesmo. Segundo o SPC Brasil, o valor médio da dívida do brasileiro inadimplente está em R$ 3.252. 


Ainda assim, os R$ 500 ajudarão a pagar, ao menos em parte, as dívidas e abrir espaço para uma negociação com credores. Essa, inclusive, deve ser a principal medida tomada por quem sacar o fundo de garantia. Com isso, reduz a bola de neve do juro, que fica próximo de 300% ao ano no caso do limite do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito. 

Além dos trabalhadores e dos analistas de mercado, os lojistas também ficaram frustrados. Os comerciantes esperavam aumento de negócios. Mesmo que a pessoa use o valor para limpar o nome, ela abre espaço para tomar crédito e fazer novas compras. Dá um gás no varejo, como ocorre com o pagamento do 13º salário.  


— Com a inadimplência alta, teríamos uma fuga do recurso para pagamentos, o que é bom para o varejo. A economia funciona como uma roda — comenta o fundador da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varjeo, Vilson Noer. 


Na semana passada, a coluna orientou o leitor a tirar tudo que pudesse do FGTS. Ainda não se cogitava a limitação de R$ 500. Para uma boa parcela da população e que ganha um salário mínimo, é um valor significativo e que não pode ser desprezado. Para esses e para quem tem dívidas atrasadas, saque. 


Já para quem gostaria de trocar o dinheiro de lugar, fugindo da rentabilidade baixíssima do fundo de garantia, cabem ponderações práticas sobre a vantagem efetiva do saque. Os 3% mais taxa referencial (TR) de retorno do FGTS deram cerca de R$ 24 ao ano sobre esse limite e não sabe-se ainda como será o esquema de saque. 


— Caso precise ir até uma agência, por exemplo, os reais garantidos em uma aplicação financeira melhor talvez não paguem nem a passagem de ônibus e muito menos um estacionamento — comenta a planejadora financeira Leticia Camargo. 


Siga Giane Guerra no Facebook Leia mais notícias da colunista


5a4e2ef62da5ad73df7efe6e_edited.png
  • Instagram
  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco

© COPYRIGHT 2019, PORTALNMT

TERMO DE USO   |  PRIVACIDADE

WhatsApp-icone.png