Tribunal do Júri julga nesta quarta-feira (26) réu por homicídio simples



O Tribunal do Juri de Não-Me-Toque se reunirá nesta quarta-feira (26), a partir das 9 horas, no auditório da Prefeitura, para sessão de julgamento do réu Gesuel da Silva de Lima, de apelido Nego, denunciado pelo Ministério Público pela prática de homicídio simples. O juri acontecerá excepcionalmente no auditório da prefeitura, em virtude das reformas no Fórum local.


Segundo os autos do processo, no dia 28 de janeiro de 2012, por volta das 22h30min, na Rua da AABB, s/nº, Bairro Santo Antônio, Não-Me-Toque, RS, o denunciado Gesuel da Silva de Lima, utilizando-se de um revólver, calibre 38, marca Polux, 06 polegadas de cano, niquelado, cabo de madeira, com numeração identificadora raspada, apreendido, em perfeito estado de funcionamento, matou a vítima Francisco Hercules Feliz da Silva, desferindo-lhe um disparo de arma de fogo na região de trás da cabeça, causando-lhe a morte por hemorragia e desorganização encefálica, de acordo com a certidão de óbito.


Na ocasião, o denunciado, motivado por desentendimentos anteriores com o ofendido, inclusive por ter este furtado maconha de Gesuel, matou a vítima.


O delito foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, na medida em que o denunciado aguardou o momento oportuno e alvejou a vítima, a qual não suspeitava da agressão, pelas costas, cujo disparo entrou pela parte de trás da cabeça e saiu por um dos olhos.


Já a defesa do réu afirma o seguinte:


O réu disse que o fato não ocorreu como está descrito na denúncia e que, no dia do fato, a vítima lhe procurou em sua casa para que fossem num mato para buscar algumas coisas da vítima, a qual conhecia do presídio e com quem não possuía atrito, pois esta disse que não conseguia trazer tudo sozinha. Contou que, chegando no local, a vítima sacou uma arma e engatilhou, aproveitando que o réu estava distraído, apontando na direção no interrogado, referindo que acha que a arma estava na cintura da vítima. Disse que, quando viu que a vítima tinha engatilhado a arma, “deu um bote” na arma da vítima para se defender.


Salientou que, nesse momento, a arma acabou disparando e a vítima acabou caindo no chão, tendo pegado a arma da vítima e saído correndo. Contou que, quando tentou pegar a arma da vítima, esta continuou puxando o revólver para si, tendo os dois ficado muito próximos, até que a arma disparou, não tendo prestado socorro, pois ficou assustado, não sabendo dizer se a vítima morreu na hora, apenas viu que ela caiu ao chão e estava sangrando. Disse que não viu onde o tiro pegou na vítima e que foi só um disparo, referindo que ninguém presenciou o fato, além dele e da vítima, e que estava escuro. Disse que a arma não era sua e que nunca teve arma de fogo. Relatou que ficou sabendo depois que foi apreendido com a vítima pedras de crack e um punhal. Disse o interrogando que não estava armado no momento do fato e que não tinha nenhuma faca, punhal, nada, até porque não imaginava que a vítima iria querer lhe agredir. Disse que a vítima, conhecido como “Paraíba”, quando lhe apontou o revólver e o engatilhou, dizia para o interrogado “já era Gesuel, já era”, referindo que logo em seguida tentou pegar a arma da vítima para se defender, conforme referido acima, não sabendo o motivo pelo qual a vítima queria lhe dar um tiro, mencionando que talvez alguém pudesse ter mandado a vítima lhe matar. Disse que nunca anda armado. Disse, esclarecendo o que está contido no depoimento, que apenas a vítima estava portando um revólver, tendo o interrogado segurado o revólver e tentado retirar da vítima para se defender. Falou que a vítima aparentava estar bêbada ou drogada, pois estava com os olhos virados e saltados.


Diante do exposto, tanto pela acusação como pela defesa, a então Juíza de Direito, Greice Witt submeteu o réu a julgamento pelo Conselho de Sentença, mesmo em caso de dúvida, não se exigindo certeza com relação à autoria, pois, havendo qualquer dúvida, ela será dirimida pelo Tribunal do Júri.



Imagem: ilustrativa



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