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- Dívida do RS com a União é suspensa por três anos, e valores serão enviados a fundo de combate às cheias
O governo federal anunciou, na tarde desta segunda-feira (13), a suspensão do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União por três anos. Os valores que o Estado deve serão encaminhados para um fundo que terá como principal objetivo medidas que minimizem os impactos das enchentes. Não serão cobrados juros nem multa sobre essa suspensão. O valor das parcelas por ano totaliza R$ 3,5 bilhões. O acordo será enviado para análise do Legislativo por meio de um projeto de lei complementar. Lula estava ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegou com o anúncio em andamento. Em coletiva de imprensa após o anúncio, Haddad explicou que a União não cobrará os juros sobre o estoque da dívida durante o período, o que tem um impacto de R$ 12 bilhões. Haverá, contudo, correção pela inflação medida pelo IPCA no período. — Tenho certeza que o Congresso vai se debruçar sobre essa medida em seguida. São R$ 11 bilhões que estão disponíveis, de fluxo financeiro, pelos próximos 36 meses. A renúncia de juros já anunciada inclusive supera o valor do fluxo, será na ordem de R$ 12 bilhões — afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O anúncio foi feito em uma reunião virtual na qual o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estavam presentes. Lula disse que não irá para o Estado na terça-feira (14) porque pretende anunciar novas medidas para os gaúchos, mas pretende embarcar na quarta (15). — Eu estava com intenção de ir para o RS amanhã. A pedido dos ministros Haddad e Rui Costa, vou anunciar uma série de medidas para as pessoas físicas, para que as pessoas começam a repor o que elas perderam. Nós vamos tomar essa decisão conjunta. Aì sim, na quarta-feira (15), vamos anunciar as medidas que vamos tomar — afirmou Lula. POR GZH
- Por danos da enchente, políticos discutem adiamento das eleições no RS
Assombrados com a destruição provocada pela enchente, políticos de diferentes vertentes ideológicas começaram a discutir o adiamento as eleições municipais no Rio Grande do Sul. A votação em que serão escolhidos os próximos prefeitos e vereadores das 497 cidades gaúchas está marcada para o dia 6 de outubro. O segundo turno, onde houver, para o dia 27. Nos últimos dias, líderes de diferentes agremiações têm recebido telefonemas de correligionários de diferentes regiões do Estado para discutir a hipótese. O apelo não se restringe apenas aos pontos mais afetados, como a grande Porto Alegre ou o Vale do Taquari, já que praticamente todo o território gaúcho sofreu algum dano com o evento climático. Consultados por GZH, parte dos presidentes dos maiores partidos do RS afirmaram concordar com o adiamento. Dos 10 dirigentes ouvidos, cinco manifestaram apoio à ideia e quatro disseram não ter posição firmada até o momento (veja abaixo). Apenas a presidente do PT, Juçara Dutra, rejeita a medida. — A reconstrução do Estado vai longe, teremos esse passivo por muito tempo — justifica Juçara. Entre quem apoia a postergação do pleito, prevalece a ideia de que o Estado não conseguirá se recuperar minimamente a tempo da campanha. — O ambiente é difícil, não haverá nem clima para chegar na casa das pessoas e pedir voto — pondera o deputado federal Luiz Carlos Busato, presidente do União Brasil. Também há quem considere que, faltando cinco meses para a votação, pode-se aguardar mais tempo para tomar a decisão. — Devemos esperar pelo menos uns 40 dias, quando as águas baixarem, para ver a realidade das cidades — opina o deputado estadual Elizandro Sabino, do PRD. A última eleição municipal, em 2020, teve a data postergada para 15 de novembro, em razão da pandemia de covid-19. Para isso, foi necessário aprovar uma emenda à Constituição no Congresso Nacional. Caso se decida pelo adiamento neste ano, o mesmo caminho terá de ser adotado. Se o pleito for remarcado para 2025, ainda será preciso prorrogar os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores, que terminam em 31 de dezembro. TRE contabiliza prejuízos, mas se organiza para outubro A despeito do frisson na classe política, a Justiça Eleitoral não discute, até o momento, a hipótese de alterar a data da votação. No Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), a prioridade é contabilizar os prejuízos provocados pela enchente. A sede da Corte no Centro de Porto Alegre, onde fica a central de atendimento ao eleitor, teve o primeiro andar tomado pela água. Preocupação ainda maior se abate sobre o depósito que guarda 15 mil urnas na região do 4º Distrito. Cercado pela água, o prédio também está sem luz, o que impede o videomonitoramento e, com isso, a possibilidade de saber se e como as máquinas foram afetadas. No Interior, os cartórios eleitorais de São Sebastião do Caí, São Jerônimo, São Leopoldo e Arroio do Meio foram arrasados, enquanto o de Igrejinha sofreu danos parciais. A estimativa é que ao menos 500 urnas tenham se perdido. Presidente do TRE, a desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, afirma que a Corte está se preparando para realizar as eleições na data prevista. Se necessário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avisou que mandará uma carga extra de aparelhos ao Rio Grande do Sul. —O TSE já nos sinalizou que tem contingente suficiente para a reposição e, em último caso, poderíamos usar as urnas do Distrito Federal, onde não há eleições municipais — ressalta a desembargadora. O atendimento presencial está suspenso em todo o Estado, mas a emissão, transferência e regularização do título eleitoral podem ser feitas pela internet, neste link. O que dizem os dirigentes dos maiores partidos do RS sobre o adiamento da eleição A favor PDT - Romildo Bolzan Júnior "As eleições não são gaúchas, são nacionais. Se houver a possibilidade de submeter uma exceção ao RS, sou a favor. A logística, a circulação de mercadorias, a queda na arrecadação e tudo o que terá que ser feito e planejado farão uma diferença enorme na eleição. Para o RS, esse debate faz todo o sentido." PL - Giovani Cherini "Fui o primeiro a defender o adiamento. Acho que não tem as mínimas condições, com tudo o que estamos vendo. Se pensássemos só no PL, estaríamos defendendo que tivesse a eleição, mas o que está em jogo é o futuro do RS. Se passar para o ano que vem, aliviaremos muitas tensões nesse momento de crise." PP - Afonso Hamm "Vamos discutir isso com a bancada federal e estadual. Com quem conversei, as opiniões são divididas. Acredito que uma prorrogação, por cerca de 60 dias, até dezembro, não feriria a democracia e propiciaria uma mobilização verdadeira. Prorrogar um pouco o prazo seria a condição de maior bom senso." Republicanos - Carlos Gomes "Se formos tomar a decisão agora, é inviável ter eleição neste ano. Temos de dar atenção à nossa gente que está sofrendo. A Justiça Eleitoral deve analisar a possibilidade de passar para o ano que vem e destinar os recursos dos fundos partidário e eleitoral que seriam usados neste ano para ajudar na reconstrução." União Brasil - Luiz Carlos Busato "Vejo com dificuldade a possibilidade de fazer eleições neste ano. Não vamos conseguir reconstruir o Estado em cinco meses. Quantos cartórios eleitorais estão debaixo d'água, perderam tudo? Sou favorável ao adiamento. O ambiente é difícil, não haverá nem clima para chegar na casa das pessoas e pedir voto." Contra PT - Juçara Dutra "Por enquanto não cogitamos o adiamento. Temos reunião do diretório na próxima quinta-feira e podemos discutir isso, mas nesse momento manteríamos o calendário. A reconstrução do Estado vai longe, teremos esse passivo por muito tempo. É um episódio que terá grandes desdobramentos." Indefinido MDB - Vilmar Zanchin "Ainda não discutimos esse assunto. A situação está tão caótica que não deu tempo de fazermos uma conversa interna. Nos próximos dias, quando parar de chover e começar a recuperação dos municípios, se esse assunto vir à tona, vou chamar a direção do partido para tomarmos uma posição." PRD - Elizandro Sabino "Teremos muita dificuldade, porque os municípios disponibilizam suas estruturas, como escolas e ginásios, para a eleição. Sem dúvidas vamos ter que discutir isso. Penso que devemos esperar pelo menos uns 40 dias, quando as águas baixarem, para ver qual a realidade das cidades. Ainda é cedo para ter esse posicionamento." PSB - Mário Bruck "Temos que aguardar no mínimo 30 dias para saber qual a capacidade de reação do Estado para recuperar a infraestrutura. Hoje ninguém consegue fazer um prognóstico. Até junho podemos fazer uma avaliação, já que em julho temos as convenções partidárias. Ainda é cedo para tomar uma decisão." PSDB - Paula Mascarenhas "O PSDB ainda não tem uma posição oficial sobre esse assunto, mas vou provocar essa discussão com a executiva (do partido)."
- GeralTragédia climática afeta saúde mental de profissionais e voluntários
#PortalEstaEmTudo A médica veterinária Andressa Schafe tirou a tarde de sexta-feira (10) para dormir em casa, com a família. “Estou muito abalada emocionalmente”, disse Andressa à Agência Brasil. Moradora do município de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ela trabalha como voluntária desde o primeiro dia da tragédia climática que abala o estado, chegando ao ginásio que concentra as doações aos desabrigados dos municípios gaúchos às 7h40, todas as manhãs. “As pessoas que atuam na linha de frente, como eu, já estão no automático. A gente só vai indo, tenta resolver os problemas o máximo que consegue.” Na sexta, o ginásio onde os voluntários estão trabalhando, e onde guardam roupas e comida, inundou. “A gente tentou erguer tudo, porque Santa Maria está sendo a regional de recolhimento. Todo mundo pegou em vassouras e rodos e começou a limpar. Mas, depois daquilo, eu me sentei e acho que chorei uma hora, porque já estamos exaustos. Todo mundo que se encontra na linha de frente está cansado. Mas seguimos.” Andressa conta que muita gente chega à regional de recolhimento querendo ajuda, e os voluntários não estão conseguindo montar cestas básicas suficientes, porque as doações diminuíram muito, e as pessoas ficam decepcionadas. O que se consegue é enviado para a quarta colônia, que reúne as dez cidades devastadas pelas enchentes e situadas perto de barragens. “Foi onde devastou tudo. As pessoas estão sem água e comida”. Oito ou dez caminhonetes tracionadas levam as cestas básicas para esses municípios, onde nem helicópteros ou carros estão conseguindo chegar. “As pessoas de Santa Maria que vêm pedir ajuda ficam frustradas. Porém, estamos tentando apagar o incêndio onde as pessoas não têm nem água. Não conseguimos atender todo mundo, mas estamos tentando da maneira mais justa.” Com a chegada de roupas doadas, que vêm de muitos locais do Brasil, os voluntários de Santa Maria conseguem montar kits completos de roupas e sapatos femininos, masculinos e infantis por tamanho. Solidariedade Samara Buchmann, que faz mestrado de psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, está sem aulas, com restrição de água e de movimentos. A oficina mecânica de seu pai, Denis, ficou alagada com a cheia do Guaíba, em Porto Alegre, e ele teve problemas financeiros. A família abriga uma amiga de Pelotas e sua cachorra, que não puderam entrar em casa por causa das enchentes que assolam o estado. Em entrevista à Agência Brasil, Samara conta que vive uma situação nova e atípica, apesar da enchente no Vale do Taquari no ano passado ter ocasionado muitos estragos. “Nessa proporção que a gente está vendo agora, porém, nem a enchente de 1941, que era a mais famosa, mais conhecida e a pior até hoje. Agora, quase todas as cidades do estado foram afetadas de alguma sorte. Mais de 100 pessoas morreram por causa das chuvas, e há centenas de milhares de pessoas desabrigadas e muitos desaparecidos.” Samara elogiou o trabalho da Defesa Civil, dos bombeiros e do Exército no resgate e colocação de pessoas e animais em abrigos e no transporte de mantimentos. “Há uma rede muito grande de voluntários arrecadando recursos, fazendo as compras de que os abrigos precisam: material de higiene e limpeza, roupas de frio, agora que está caindo a temperatura, remédios, ração para os animais. Toda hora está passando carro de polícia, helicóptero.” A estudante destaca que todos estão mobilizados para ajudar, tanto no Rio Grande do Sul quanto nos demais estados, e também no exterior, divulgando o que está acontecendo e informando do que os gaúchos estão precisando neste momento. Para Samara, solidariedade e união são os principais fatores que mobilizam atualmente as pessoas. “Não é só aqui, com o povo gaúcho se ajudando, é também em lugares muito distantes, com o desejo de enviar muita ajuda para cá, de ter algum parente ou amigo e estar entrando em contato para saber se essa pessoa está bem, se precisa de alguma coisa. Essa rede é de apoio emocional e não só material”, concluiu. Saúde mental O psiquiatra Jorge Jaber, membro fundador e associado da International Society of Addiction Medicine e associado à World Federation Against Drugs, afirma que tragédias climáticas, como as enchentes do Rio Grande do Sul, afetam a saúde mental das pessoas, tanto as que perdem parentes e amigos, além de bens, quanto profissionais e voluntários que se esforçam para fazer salvamentos e, muitas vezes, não conseguem. Na área específica de psiquiatria, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criou um link para que especialistas do Brasil inteiro possam ajudar a população gaúcha, seja por atendimento presencial, com profissionais que estão mais próximos do evento, ou a distância, pelas mídias sociais. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul modificou também uma determinação para que os médicos, nesse período, tal como ocorreu na época da pandemia de covid-19, possam emitir receituário controlado. Em entrevista à Agência Brasil, Jaber explica que quase todos os medicamentos psiquiátricos são alvo de controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em termos de receitas. “Existem receitas brancas, azuis e amarelas. As receitas azuis e amarelas, que são emitidas pelo Conselho Regional de Medicina do estado, estão sendo liberadas para que sejam feitas, inclusive, a distância, de modo a reduzir o impacto que esse cataclismo está causando na população.” Sobre o evento traumático de natureza ecológica, Jaber diz que a repercussão é grande e de longa duração. Ele lembra que, em 2024, ainda se avaliam os efeitos de longa duração da pandemia da covid-19 (2020-2023). “O que está acontecendo agora vai repercutir em uma geração de jovens que estão sendo submetidos a perdas traumáticas de entes queridos, à perda de bens e ao dano ecológico. Um estado que tem características de preservação ecológica como o Rio Grande do Sul vai sofrer um dano muito grande.”Segundo o psiquiatra, a mudança climática, a mudança da vegetação, a morte de animais, tudo isso gera sofrimento a mais e contribui fortemente para a perda da saúde mental. Jaber enfatiza que não só as pessoas doentes, mas o ser humano, de maneira geral, todos precisam ter uma certa segurança ambiental para viver plenamente a sua saúde. “Qualquer dano ecológico ao ambiente repercute na saúde mental do indivíduo por uma série de razões, principalmente aquelas voltadas ao medo, angústia, ansiedade, depressão, transtornos psicóticos, abuso de substâncias, uso indevido de remédios. Isso tudo cria uma solução bastante difícil que tem repercussões de curto e também de longo prazo.” De acordo com o psiquiatra, estima-se que, em um evento como este, a população demore de cinco a dez anos para começar a se estabilizar, do ponto de vista da saúde mental. No tocante aos profissionais e voluntários que estão no Rio Grande do Sul salvando pessoas e animais, Jaber destaca o trabalho da Defesa Civil, ao criar equipes multiplicadoras, motivadas por líderes. O psiquiatra lembra, contudo, que pessoas com menor capacidade de resistência a frustrações, situações que envolvem morte e situações catastróficas e dolorosas, devem ser afastadas, aproveitando-se aqueles que realmente demonstram alguma resiliência nessas circunstâncias. Socorro psicológico Para contribuir com as iniciativas de acolhimento em saúde mental às vítimas das enchentes, os professores Christian Haag Kristensen e Caroline Santa Maria Rodrigues, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse (Nepte), da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), criaram um curso rápido, voltado para pessoas que estão atuando como voluntárias em resgates e abrigos ou ajudando de outras formas. O objetivo é contribuir com as iniciativas de acolhimento em saúde mental às vítimas, facilitando, ao mesmo tempo, o atendimento psicológico mais adequado no momento. O material tem apoio do Conselho Regional de Psicologia (CRP-RS). O curso Primeiros Socorros Psicológicos: Intervindo em Situações de Crises, Desastres e Catástrofes foi gravado pelos dois pesquisadores e dividido em duas partes. Na primeira, é feita uma contextualização de desastres, indicando quais os possíveis efeitos psicológicos e agravantes da situação, como fome, machucados e abusos, entre outras situações. Na segunda, são explicadas as maneiras práticas de abordar e se comunicar com as vítimas e as formas de comunicação adequadas. Os professores ressaltam a necessidade de se considerar que as pessoas estão em situação de vulnerabilidade, como crianças e adolescentes, pessoas com problemas de saúde, deficiências, ou ainda correndo risco de discriminação ou violência. O curso busca oferecer um panorama rápido, para que os atingidos mais fortemente pela catástrofe sejam tratados de maneira humanizada. A PUCRS está abrigando pessoas e famílias afetadas pelas chuvas e enchentes do estado nas dependências do Parque Esportivo (Prédio 81) e também recebe e encaminha doações.As atividades acadêmicas foram suspensas na universidade, mas o campus permanece aberto aos estudantes e à comunidade, oferecendo acesso à energia elétrica, equipamentos, ambientes de estudo, serviços de alimentação e uso das estruturas disponíveis. Política pública Para a doutora em saúde coletiva e especialista em saúde mental do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde Dayana Rosa, a relação entre saúde mental e meio ambiente ainda é pouco debatida no Brasil mas, no mundo inteiro, tem sido abordada com frequência. “Na Europa, por exemplo, já se fala em ansiedade climática, principalmente entre a população mais jovem”, disse Dayana à Agência Brasil. No Brasil, onde existe muita riqueza natural e a exploração da natureza constitui uma das principais atividades econômicas, é cada vez mais necessário que o Estado promova políticas públicas, ao mesmo tempo que amplia o acesso e protege o meio ambiente, como forma de promover também saúde mental e de prevenir transtornos e sofrimentos desse tipo, diz a especialista. “O acesso ao meio ambiente deve caminhar junto com a promoção do acesso à saúde mental”, enfatiza. Dayana Rosa cita pesquisa feita no Reino Unido, segundo a qual, pessoas que vivem em áreas com altos níveis de poluição do ar têm 40% mais chance de desenvolver depressão que as que estão em áreas com ar mais limpo. No Brasil, no caso do rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), feita em 2018, constatou que 74% das pessoas tiveram piora do estado de saúde. Na saúde mental, a depressão e a ansiedade, que afetavam 1% da população, subiram para 23%. Em 2020, dois anos depois da tragédia, quase 30% dos atingidos sofriam com depressão, número cinco vezes maior do que a média nacional na época. “São transtornos provocados pela condição em que a natureza se encontra e pelas consequências de você perder a casa, não ter acesso a bens básicos como água, alimentação, e sem eles é impossível falar de saúde mental”. A especialista lembra que, durante a pandemia da covid-19, os profissionais de saúde que ficaram na linha de frente foram os que mais adoeceram em termos de saúde mental. “Fica a necessidade também de proteger os profissionais de saúde e os demais profissionais que estão na linha de frente no Rio Grande do Sul”.A Frente Parlamentar de Saúde Mental, da qual o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde faz a secretaria executiva, propôs o projeto de lei Cuidando de Quem Cuida, para proteger profissionais de saúde que estão na linha de frente, como no caso do Rio Grande do Sul. Transtorno O neurologista Guilherme Schmidt, docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), disse à Agência Brasil que, quando se pensa em saúde, isso não envolve apenas ausência de doenças, porque saúde requer bem-estar físico, mental e social. “A população do Rio Grande do Sul perdeu, no mínimo, o bem-estar mental e social. Até que haja recuperação, principalmente da parte social e de rotina, é uma população que tem maior risco de transtorno mental”.Schmidt alerta que o governo precisa ter uma perspectiva de reconstrução para essas pessoas, “de voltar à normalidade, de crianças voltarem para a escola, pessoas voltarem para o emprego, se não tiverem perdido, voltarem para casa, se tiverem a casa para voltar”. Na avaliação do médico, essa é uma população que apresenta maior risco de doença psiquiátrica. Uma das primeiras reações de quem passa por uma situação traumática de tal porte é a confusão mental, seguida pelo estado de angústia pelo que está acontecendo, o que leva ao espírito de solidariedade para tentar resolver o problema. “Quando isso vai passando, e a pessoa constata que não está voltando para a rotina dela, podem aparecer problemas. A pessoa não tem mais aquele sentimento de utilidade, nem a rotina anterior. É uma população na qual a gente tem que ficar de olho.”Pacientes que têm risco de desenvolver doenças psiquiátricas podem apresentar, entre outros sintomas, pensamentos perturbadores ou pesadelos, revivendo o que aconteceu, medo de enlouquecer, de perder o controle e ficar em estado de hipervigilância, mais nervosos, mais inquietos – é mais fácil entrar em pânico. Esses sintomas podem afetar relações pessoais e até de trabalho, uma vez que as pessoas ficam muito irritáveis, diz o neurologista.Muitos passam a evitar o contato com pessoas que passaram pela mesma tragédia e diminuem o círculo social com medo de lembrar os acontecimentos. Podem apresentar alteração do sono e mostrar dificuldade de concentração e se tornar mais indiferentes na parte emocional. Normalmente, é mais suscetível a tais sintomas a população que já era mais vulnerável ou portadora de alguma doença mental e sem rede de apoio de parentes e amigos, além da parcela que sofreu maiores perdas no desastre. Schmidt salienta a necessidade de ficar de olho nesse grupo, que costuma aumentar o uso de álcool e drogas. Schmidt acentua que a fase de luto considerada normal é de, no máximo, até dois meses após a tragédia, porque as pessoas tiveram perderam parentes e bens. “Mas ficar com depressão após uma tragédia dessas não é normal. Se o luto está demorando mais que dois meses, é preciso começar a se preocupar e tratar esse paciente, que ele tem maior risco de depressão. Tem que tratar logo porque aumenta a chance de um transtorno depressivo associado”, diz o médico, que alerta também para o aumento de doenças cardiovasculares. Segundo o neurologista, uma coisa positiva que pode ocorrer nesse tipo de evento é o crescimento pós-traumático, na medida que situações extremas acabam levando a mudanças na vida das pessoas, como cuidar mais da saúde, dedicar-se mais à família, aumentar a rede de contatos. “E a grande coisa que aumenta nisso tudo é a resiliência, que é a nossa capacidade de voltar ao funcionamento normal depois de eventos traumáticos desconfortáveis. Algumas pessoas ficam mais fortes depois desses eventos”, afirma Schmidt. Edição: Nádia Franco - Agência Brasil Foto: REUTERS - Adriano Machado
- Passa de 700 o número de abrigos temporários no Rio Grande do Sul
#PortalEstaEmTudo O Rio Grande do Sul contabiliza, até o momento, 722 abrigos temporários, montados em decorrência das fortes chuvas, inundações e enxurradas que atingem o estado desde o fim de abril. O levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) do estado foi feito com base em informações das secretarias municipais de Assistência Social. Segundo as informações oficiais mais recentes, há um total de 81.170 pessoas em abrigos no RS. O número de cidades afetadas chega a 446 dos 497 municípios gaúchos. O número de abrigos e de desabrigados ainda pode flutuar, explicou o secretário de Desenvolvimento Social do RS, Beto Fantinel, à medida que algumas pessoas voltam para suas casas ou as deixam, conforme a passagem das águas. “Os abrigos funcionam conforme a demanda dos atingidos, que varia de forma constante”, explicou. O estado ainda sofre com o mau tempo, e há previsão de novas chuvas fortes neste domingo (15). Em Porto Alegre, por exemplo, o nível do lago Guaíba voltou a subir, podendo voltar a superar os cinco metros, dois a mais da conta de inundação. Estão sendo levantadas também as condições de infraestrutura e as demandas de materiais de cada abrigo. Participam do levantamento também o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; o Ministério da Saúde; a Defesa Civil nacional; a Defesa Civil do RS; e o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “O objetivo desse levantamento é identificar onde estão os abrigos, identificar as características básicas de sua infraestrutura, características básicas do perfil das pessoas desabrigadas e suas necessidades”, disse o secretário-adjunto da Sedes, Gustavo Saldanha. Segundo ele, com os números, o governo gaúcho “vai ter condições de fazer demandas mais específicas para o Ministério do Desenvolvimento Social, assim como auxiliar parceiros a disponibilizar recursos e doações para as características reais dos abrigos e das pessoas abrigadas”. Entre as prioridades está a identificação das condições de acesso a água potável e a necessidade de medicamentos, itens de cozinha para o preparo de alimentos, cobertores e materiais de limpeza e higiene. Numa primeira amostra, com dados de 96 abrigos, o governo estadual constatou que 47,92% desses locais possuem gestantes ou puérperas; 47,17% abriga população indígena ou quilombola; e 43,75% possuem migrantes. Dessa amostra de abrigos, 91,67% informaram que possuem banheiros funcionais em quantidade suficiente para abrigos emergenciais (1 para cada 25 pessoas); 78,12% informaram que possuem espaços específico para lazer e convivência de crianças e adolescentes; 62,5% possuem cozinha e produção de alimentação no local (as demais recebem marmitas prontas). Em meio à insegurança que tem assolado alguns abrigos, 58,33% da amostra já pesquisada disseram possuir equipes de segurança; 85,42% possuem equipes de saúde; e 83,33% possuem equipes de atendimento psicossocial atuando no local. Até a última sexta-feira (9), somente via órgãos federais foram encaminhadas quase 2 mil toneladas de doações aos desabrigados do RS, sem contar as doações enviadas por pessoas físicas e empresas. De acordo com balanço mais recente do governo estadual, foram registradas até o momento 143 mortes causadas pelo mau tempo, com enchentes e enxurradas, no RS. Outras 125 pessoas estão desaparecidas, e 537.380 ficaram desalojadas. Edição: Vinicius Lisboa - Agência Brasil #REUTERS - Diego Vara
- Frente fria deve trazer queda acentuada da temperatura no RS
#PortalEstaEmTudo O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja, "de perigo", para o declínio acentuado da temperatura na Região Sul e no sul do Mato Grosso do Sul. O fenômeno deve ser percebido entre segunda (13) e quarta (15) e pode levar os termômetros a registrarem temperaturas cinco graus Celsius (°C) menores. Segundo o Inmet, as chuvas neste domingo (12) foram mais concentradas em grande parte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Já a partir da noite, a concentração será na metade norte do estado gaúcho, incluindo a capital Porto Alegre. “E na parte mais ao sul do estado, já começam a cair as temperaturas a partir de hoje”, disse à Agência Brasil o meteorologista do Inmet, Heráclio Alves. Heráclio Alves afirmou que essa queda nas temperaturas decorre da frente fria que vai se formar amanhã (13). Na medida em que ela avança pelo oceano, a leste da região Sudeste, ela vai trazendo chuva também para o leste de São Paulo. Ele destacou que logo depois da passagem da frente fria, vem o ar mais frio e seco. “Ele reduz a chuva e provoca queda nas temperaturas. Na quarta-feira (15), toda a região Sul, além do sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul terão declínio da temperatura bastante acentuado”. Nos três estados do Sul, a temperatura deve ficar mais baixa. No Rio Grande do Sul, o meteorologista apontou que a temperatura pode ficar abaixo dos 4º nos próximos dias, principalmente nas madrugadas e manhãs. “Então, a chuva já diminui a partir de amanhã, principalmente no Rio Grande do Sul, mas vai ter a frente fria que vai se formar durante a madrugada. Ainda chove no norte do estado mas, no decorrer do dia, a chuva avança para Santa Catarina e Paraná e e vai dando espaço a essa massa mais fria, e com pouca chuva, mas com temperatura muito baixa. Tem o frio”, alertou Heráclio Alves. Na tarde deste domingo (12), em grande parte do Rio Grande do Sul, a temperatura máxima já fica abaixo dos 25º, enquanto no extremo sul do estado, na fronteira com o Uruguai, será em torno de 12º a 15º. “À noite, já começa (a temperatura baixa) a se espalhar para outras áreas do estado. Hoje, já tem uma queda bastante expressiva da temperatura, tanto por conta da chuva, mas também por uma massa mais fria que vai avançando sobre a Argentina, o Uruguai, e chegando ao Rio Grande do Sul”, disse o especialista. A partir dessa segunda-feira (13), na madrugada e no decorrer do dia, a chuva fica mais concentrada no norte gaúcho e começa a avançar por Santa Catarina e Paraná, entre a segunda e terça-feira. As temperaturas vão cair também nas demais áreas do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Paraná e também no sul e oeste do Mato Grosso do Sul. Foto: Cristiane Rochol - PMPA
- Chegam ao RS mil antenas da Starlink para restabelecer conexão à Internet durante enchente
#PortalEstaEmTudo Chegaram ao Rio Grande do Sul as mil antenas de Internet via satélite fornecidas pela empresa Starlink, cujo controlador é o bilionário Elon Musk, para auxiliar na comunicação de equipes de segurança e salvamento durante a enchente no estado. Os equipamentos foram desembarcados na noite de sábado na base aérea de Canoas, na região metropolitana, e serão levados ao Centro Administrativo de Contingência, na antiga sede administrativa da CEEE, no bairro Jardim Carvalho, em Porto Alegre. O serviço de internet fornecido pela Starlink será com consumo de dados ilimitados enquanto durar a calamidade, conforme havia sido confirmado pelo próprio Musk na última quinta-feira. Segundo o governo do estado, que intermediou a chegada via Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) junto à Global Skylink Participações, empresa brasileira representante da Starlink, os equipamentos ajudarão a restabelecer a comunicação nos principais pontos da Defesa Civil, da Segurança Pública, em unidades de saúde, escolas e serviços públicos essenciais. Antenas da Starlink foram fornecidas com Internet ilimitada | Foto: Pablo Reis / Ascom SPGG
- Governo gaúcho alerta para mais chuvas e interdita quatro rodovias por risco de deslizamentos
O governado gaúcho reforçou, nesta sexta-feira (10), o alerta acerca da previsão de mais chuvas no Rio Grande do Sul nos próximos dias. O governador Eduardo Leite chamou a atenção para as áreas de encostas, onde há risco real de novos deslizamentos. Diante do quadro, o governo estadual está bloqueando, preventivamente, trechos de quatro rodovias nas regiões da Serra e do Vale do Taquari. Devido às previsões, o governador fez um apelo à população. “Por favor, não retornem para áreas de risco. Teremos volumes de chuva que devem trazer ainda muitos transtornos. Além disso, há o risco nas estradas em locais onde há instabilidades no solo”, frisou. A Secretaria de Logística e Transportes (Selt) está encaminhando a interdição da ERS-332, entre Arvorezinha e Encantado; da ERS-129, entre Estrela, Colinas e Roca Sales; da RSC-453 (Rota do Sol), na saída para Lajeado Grande; e da ERS-452, entre Vale Real, Feliz e Caxias do Sul. Nesses pontos, a liberação será feita apenas para veículos de emergência e para o transporte de produtos essenciais. A meteorologista Cátia Valente, da Sala de Situação do Estado, explicou que as chuvas devem continuar, pelo menos, até a próxima segunda-feira (13/5) e reforçou o risco de deslizamentos. “Essa é a nossa maior preocupação neste momento, principalmente em áreas elevadas e entre o Litoral Norte e a Serra gaúcha”, afirmou. Conforme as projeções, os maiores volumes de precipitação devem ocorrer entre domingo (12) e segunda (13). “As chuvas já começaram a ocorrer em grande parte do Rio Grande do Sul. Os volumes maiores são em toda a Metade Norte, principalmente na região da Serra e do Litoral Norte. Também tem bastante chuva para a Região Metropolitana, e toda essa umidade será muito persistente”, acrescentou Cátia. A meteorologista alertou, também, para os riscos de descargas elétricas, o que representa grande perigo, principalmente para as equipes de resgate. O hidrólogo Pedro Camargo, da Sala de Situação, apontou que os rios – inclusive o Guaíba – podem voltar a subir. “As regiões com maior chuva são a do Guaíba e Litoral Norte. Então, todos os rios que já foram afetados – Taquari, Caí, Sinos, Gravataí e Jacuí – devem atingir, novamente, a cota de inundação, e toda essa água vai se propagar para o Guaíba, que pode voltar a níveis atingidos anteriormente, chegando a 5 metros ou a 5,30 metros”, observou. POR O SUL
- Lagoas dos Patos e Mirim podem acabar formando um único corpo de água; entenda
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fizeram um mapa das áreas que possivelmente serão atingidas por enchentes após a cheia na Lagoa dos Patos. Conforme a previsão, a inundação deve atingir municípios como Pelotas, São Lourenço do Sul, Rio Grande, Capão do Leão, São José do Norte, Arambaré, Tapes, Palmares do Sul, Capivari do Sul e Viamão. Ao longo da semana, meteorologistas da MetSul alertaram que, a depender do volume de água, as lagoas dos Patos e Mirim se encontrem, podendo acabar formando um único corpo d’água. A Lagoa dos Patos é interligada com o Guaíba, que banha a Região Metropolitana de Porto Alegre e que nesta semana atingiu o nível histórico de 5,3 metros. Por haver essa ligação, a Lagoa dos Patos deve receber um alto volume de água que chegou ao Guaíba nos últimos dias a partir dos grandes rios que cruzam o Estado, como Taquari, Jacuí e Sinos. Medições feitas pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que o nível da Lagoa dos Patos já vem aumentando nos últimos dias. Em quatro estações de medição, o nível já está acima da cota de inundação. Em São Lourenço do Sul, por exemplo, o nível estava em 2,45 metros às 7h desta sexta-feira (10). Há uma semana, no mesmo horário, o nível estava em 1,65 metro. Em Pelotas, a água estava em 2,48 metros na manhã desta sexta, contra 1,22 metro há sete dias. Diante da iminente inundação, algumas prefeituras da região já determinaram que as pessoas evacuem regiões próximas à lagoa. “A inundação já está grande neste momento. E a expectativa é de que seja maior do que a cheia de 2023 e que a histórica de 1941”, comenta o pesquisador Rodrigo Cauduro Dias de Paiva, que é professor no IPH/UFRGS. Assim como ocorreu em Porto Alegre, a cidade de Rio Grande também foi atingida pela grande enchente de 1941. “As chuvas excessivas ocorridas em grande parte do Rio Grande do Sul e escoadas pela Lagoa dos Patos até a Barra do Rio Grande é que promoveram a elevação das águas que invadiram a cidade”, diz um trecho de um artigo científico sobre o tema, escrito pelo professor Luiz Henrique Torres, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). “Foi um outono muito chuvoso no Rio Grande do Sul. No mês de abril os municípios de Santa Maria, Carazinho, Gravataí, Arroio do Meio, São Sebastião do Caí, Santo Antônio da Patrulha, Novo Hamburgo e São Jerônimo, apresentavam alagamentos. Em várias outras cidades, no mês de maio, os rios romperam o leito e provocaram alagamentos. Foi o caso, no Vale do Rio Pardo, de Venâncio Aires com 1.000 desabrigados e Rio Pardo, com 500”, acrescenta o artigo. A enchente em Rio Grande no ano de 1941 deixou 3.905 pessoas desalojadas. Na Ilha de Torotama, também em Rio Grande, registros da imprensa da época dão conta que a água permaneceu a 1 metro de altura por 34 dias, provocando a morte de 2 mil cabeças de gado. POR O SUL
- Ministro do Esporte pede à CBF paralisação do Campeonato Brasileiro
O ministro do Esporte, André Fufuca, enviou nesta sexta-feira (10) ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, um ofício em que pede a paralisação do Campeonato Brasileiro. O pedido foi apresentado em razão das enchentes que atingem o Rio Grande do Sul. Na quinta-feira (9), Fufuca já havia informado que pediria a paralisação da competição para que as atenções do País se voltem à situação do povo gaúcho. “Em razão de tão fortes chuvas que atingem o RS desde o dia 29/04/2024 e, sendo de amplo conhecimento a tragédia que se instaura naquele estado, entende-se também que todo o país está envolvido no apoio aos jogadores e familiares, bem como a toda a população daquela região. Estas são as razões da presente solicitação, para que seja paralisado do Campeonato Brasileiro de Futebol deste ano de 2024”, afirmou o ministro no documento encaminhado à CBF. No ofício, Fufuca não sugere um prazo para a paralisação do campeonato. O Rio Grande do Sul tem três times na Série A do Brasileirão: Grêmio, Inter e Juventude. Além de outras equipes nas divisões inferiores da disputa nacional. Os times gaúchos da primeira divisão já haviam solicitado a paralisação do Campeonato Brasileiro, via Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Grêmio e Inter tiveram suas estruturas afetadas pela enchente histórica no Rio Grande do Sul. Os gramados do Beira-Rio e da Arena do Grêmio, principais estádios de Porto Alegre, foram alagados no fim de semana. Antes disso, os centros de treinamentos da dupla Gre-Nal já haviam sido completamente inundados, impedindo as preparações das duas equipes. Em Caxias do Sul, o Juventude conseguiu retomar os treinamentos. A principal dificuldade da equipe é a questão logística. Com o fechamento do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, o time da Serra teria dificuldade de deslocamento para as partidas como visitante, bem como receber os rivais no Alfredo Jaconi. A CBF anunciou na terça-feira (7) o adiamento dos jogos dos times do Rio Grande do Sul por 20 dias. Jogos dos clubes já haviam sido adiados na rodada passada. No entanto, com o agravamento da situação no Estado em função das enchentes e a interdição do Aeroporto Salgado Filho, a CBF decidiu ampliar sua decisão para as próximas rodadas. Jogos do Brasileirão adiados 11/05 – Atlético-MG x Grêmio (6ª rodada)13/05 – Inter x Juventude (6ª rodada)19/05 – Grêmio x Bragantino (7ª rodada)19/05 – Cuiabá x Inter (7ª rodada)19/05 – Fluminense x Juventude (7ª rodada)25/05 – Inter x São Paulo (8ª rodada)26/05 – Juventude x Vitória (8ª rodada)a definir – Flamengo x Grêmio (8ª rodada) Jogos da Copa do Brasil adiados 10/05 – Inter x Juventude (3ª fase Copa do Brasil – ida)22/05 – Grêmio x Operário (3ª fase Copa do Brasil – volta)22/05 – Juventude x Inter (3ª fase Copa do Brasil – volta)Inter, Grêmio e Juventude pedem à CBF a paralisação de jogos do Brasileirão A medida vale também para os times gaúchos que disputam as séries C e D do Brasileirão, além das três divisões do Brasileirão Feminino, Brasileiro Masculino Sub-20 e Brasileiro Feminino Sub-20. Como não há gaúchos na Série B do Brasileirão, a competição não foi afetada. As partidas dos clubes gaúchos também foram adiadas nas competições internacionais. A Conmebol adiou o confronto do Grêmio contra o Huachipato, no Chile, pela Libertadores, e o do Inter contra o Real Tomayapo, na Bolívia, pela Sul-Americana. Os clubes esperam que a mesma medida seja tomada para as próximas rodadas das competições. POR O SUL
- Quase 10 mil animais já foram resgatados das enchentes que assolam o Rio Grande do Sul
Segundo o governo do Rio Grande do Sul, 9.819 animais foram resgatados até esta quinta-feira (9) durante as enchentes que atingem o Estado. “Estamos vendo outros casos como esse (do cavalo Caramelo) que merecem esforço e resgate para que a gente possa deixar todas as vidas em segurança”, disse o governador Eduardo Leite. O cavalo que estava ilhado no telhado de uma casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi resgatado na manhã da quinta-feira (9). As equipes de resgate usaram barcos em vez de um helicóptero para socorrer o animal devido ao peso dele. O cavalo foi resgatado por equipes do Exército Brasileiro, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo. Apelidado de Caramelo, o animal precisou ser sedado, deitado e colocado em um bote devido ao seu peso. Em Taquari, pouco mais de 110 km dali, um boi tentou se abrigar no altar do Santuário da Assunção. O vídeo mostra o animal tentando se salvar em meio à destruição deixada pela força da água no local. Gravado por um morador da região, o registro comoveu a internet. Durante o vídeo, a pessoa que grava narra o que encontrou na igreja. “Olha o estado que ficou a santinha dentro do Santuário (…) O mais impressionante é ali [apontando para o boi]. Não sei como entrou, mas olha ali onde está um boi. No altar da igreja, vivinho”, diz o rapaz. Segundo informações, o animal já foi resgatado e está bem. Porto Alegre Conforme a prefeitura de Porto Alegre, já foram resgatados na cidade 4,8 mil animais de áreas alagadas desde o início da enchente, incluindo pets retirados sem os tutores. Nos abrigos emergenciais, com os tutores, estão cerca de 700 animais. Há outros 500 instalados na Unidade de Saúde Animal Victoria (Usav), na Lomba do Pinheiro, e mais 100 em um abrigo específico para animais na Zona Sul. Outros 3.500 animais foram recebidos pelas equipes da prefeitura em pontos como a Usina do Gasômetro e no Viaduto Obirici, na Zona Norte, e estão sendo acomodados em novas estruturas emergenciais. “Os voluntários nos entregaram muitos pets resgatados de áreas de inundação sem os tutores. Além da Usav, estamos com dois abrigos temporários já lotados e iremos abrir mais um”, relata a coordenadora do GCA, Fabiana Ribeiro. Ela projeta que serão necessários novos abrigos, uma vez que o volume de animais resgatados não para de subir, pois muitos estão sendo buscados nas residências após a saída dos tutores. “Temos voluntários da prefeitura, de clubes naúticos também, todos ajudando nesses resgates”, explica. A maior parte é composta por cães, na proporção de cinco para um gato. Todos os animais nos abrigos recebem alimentação e são examinados – caso necessitem atendimento especializado, são encaminhados para serviços veterinários. Localizada na Estrada Berico Jose Bernardes, 3489, na Lomba do Pinheiro, a Unidade de Saúde Animal Victória está disponível para atender os pets dos abrigos emergenciais de Porto Alegre e também para aqueles resgatados sem os tutores. Para tanto, é necessário contatar previamente pelo telefone/Whatsapp (51) 98137-3164, telefone também disponível para informações de tutores em busca de seus pets resgatados. Na Usav, os pets são desverminados, microchipados e castrados, ficando à disposição dos tutores após 30 dias. POR O SUL
- Mais de 500 profissionais de saúde mental participam de capacitação para atender atingidos pelas enchentes
Uma capacitação on-line sobre cuidado em saúde mental com a população atingida pelas enchentes no Rio Grande do Sul teve a participação de mais de 500 profissionais de saúde. Promovida pela Secretaria da Saúde (SES), a formação foi conduzida pela especialista em psicologia em emergências e desastres, Débora Noal, que está atuando com a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. Débora compartilhou orientações sobre a abordagem e os cuidados com as pessoas em sofrimento emocional ocasionados pelos eventos climáticos que resultaram na situação de calamidade pública em que o RS se encontra. O guia sobre Primeiros Cuidados Psicológicos para trabalhadores que estão na linha de frente, publicado pela Organização Pan Americana de Saúde (Opas), orienta sobre as formas de acolher e escutar pessoas vítimas de desastres que se encontram em condições traumáticas. Perdas de entes queridos, abandono repentino das residências, trabalho e subsistência, necessidade de se deslocar para abrigos, falhas de comunicação e falta de informações sobre familiares e amigos, bem como perdas de animais de estimação, são fatores que afetam a saúde mental e emocional. Para o acolhimento e cuidado dessas pessoas, a escuta é considerada essencial, junto do oferecimento de cuidados práticos para suprir necessidades básicas – como alimentação, água e informações sobre serviços e suportes sociais. A estratégia de atenção psicossocial desenvolvida pela SES passa pela qualificação dos trabalhadores de saúde. O foco também é reconstruir as redes de atendimento onde for necessário. Essas ações são desenvolvidas com apoio das Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS). A Política Estadual de Saúde Mental da SES foca também em construir uma linha de cuidado que inclua as equipes de atenção básica psicossocial. O SUL
- Homens são presos por suspeita de estupros em abrigos no Rio Grande do Sul
Seis pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento em casos de estupro em abrigos localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os crimes foram registrados em Porto Alegre, Canoas e Viamão, e envolvem crianças com idades entre seis e 10 anos, além de uma jovem. Dos quatro casos ocorridos em abrigos de Porto Alegre e Canoas, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul afirmou que os agressores são familiares das vítimas. De acordo com o secretário de Segurança Pública do RS, Sandro Caron, os abusos eram recorrentes nas residências das vítimas e se estenderam aos abrigos para onde foram transferidas. Uma força-tarefa, com participação do Ministério Público (MP), foi estabelecida para acompanhar de perto as investigações, especialmente no que diz respeito ao acolhimento e proteção de crianças e adolescentes nos abrigos. Em Viamão, o crime ocorreu em uma chácara que não era um abrigo oficial da prefeitura. Um homem de 24 anos foi preso preventivamente após ser acusado de estuprar uma criança de seis anos. O incidente ocorreu no bairro Estância Grande, no último sábado (4), quando a vítima, que era de Canoas, estava na chácara antes da chegada dos pais, que foram resgatar outras crianças afetadas pela enchente. A mãe da menina notou sinais de abuso quando chegou ao local, levando imediatamente a criança para atendimento médico e denunciando o caso à Delegacia de Polícia de Canoas. A polícia conseguiu identificar e prender o suspeito, que também é residente em Canoas. A chácara deixou de abrigar pessoas desabrigadas devido à falta de água e luz. POR O SUL
- Aumenta para 107 o número de mortes provocadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul
Aumentou para 107 o número de mortes provocadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, de acordo com balanço divulgado na noite desta quinta-feira (9) pela Defesa Civil Estadual. Pelo menos 134 pessoas estão desaparecidas e 754 ficaram feridas. Quase 400 mil encontram-se desalojadas ou desabrigadas. No total, 431 municípios do Estado registraram danos em razão dos temporais dos últimos dias. Conforme o boletim da Defesa Civil, mais de 1,7 milhão de pessoas foram afetadas pelas cheias que assolam o RS. Boletim Municípios afetados: 431 Pessoas em abrigos: 68.519 Desalojados: 327.105 Afetados: 1.742.969 Feridos: 754 Desaparecidos: 134 Óbitos confirmados: 107 Óbitos em investigação*: 1 Nível das águas às 18h Lago Guaíba – Porto Alegre – 4,88 metrosRio dos Sinos – São Leopoldo – 6,34 metrosRio Gravataí – Passo das Canoas – 5,97 metrosRio Taquari – Muçum – 5,15 metrosRio Caí – Feliz – 2,87 metrosRio Uruguai – Uruguaiana – 11,49 metros (nível de inundação 15)Lagoa dos Patos (Laranjal) – 2,25 metros (nível de inundação 1,50) Energia elétrica, água e telefonia CEEE Equatorial: 179.101 pontos sem energia elétrica (9,94% do total de clientes);RGE Sul: 184.200 pontos sem energia elétrica (5,9% do total de clientes);Corsan: 438.230 clientes sem abastecimento de água (15% do total de clientes);Tim: 12 municípios sem serviços de telefonia e internet;Vivo: 55 municípios sem serviços de telefonia e internet;Claro: 3 municípios sem serviços de telefonia e internet. Panorama nas escolas estaduais Dados das escolas afetadas (danificadas, servindo de abrigo, com problemas de transporte, com problema de acesso e outros): 975 escolas239 municípios28 CREs356.948 estudantes impactados438 escolas danificadas com 183.028 estudantes matriculados.74 escolas servindo de abrigo Retomada das aulas CREs que já retomaram as aulas: Uruguaiana (10ª); Osório (11ª); Erechim (15ª); Palmeira das Missões (20ª); Três Passos (21ª); São Luiz Gonzaga (32ª); São Borja (35ª) e Ijuí (36ª); Caxias do Sul (4ª), Santa Cruz do Sul (6ª), Passo Fundo (7ª), Santa Maria (8ª), Cruz Alta (9ª), Bagé (13ª), Santo Angelo (14ª), Bento Gonçalves (16ª), Santa Rosa (17ª); Santana do Livramento (19ª); Vacaria (23ª); Soledade (25ª) e Carazinho (39ª). CREs com aulas suspensas até sexta-feira (10): Pelotas (5ª) e Rio Grande (18ª) CREs sem previsão de retomada: Porto Alegre (1ª ), São Leopoldo (2ª), Estrela (3ª), Guaíba (12ª), Cachoeira do Sul (24ª) e Canoas (27ª), Gravataí (28ª). R$ 19 bilhões O governador Eduardo Leite anunciou, nesta quinta que serão necessários, ao menos, R$ 19 bilhões para executar o plano de reconstrução do Estado. O cálculo baseia-se em estimativas preliminares e em comparativos com os esforços empregados para responder ao desastre ocorrido em setembro de 2023 no Vale do Taquari. “Pelas necessidades que observamos até o momento, esse é o montante que será necessário para financiar as políticas públicas e restabelecer lugares e vidas que foram afetados. O Estado vai ser especialmente demandado em estradas, habitação, crédito subsidiário e ações sociais para atender as pessoas atingidas”, disse o governador. De acordo com o levantamento inicial, serão necessários mais de R$ 218,6 milhões para ações de resposta ao desastre; quase R$ 2,5 bilhões para ações de assistência; mais de 7,2 bilhões para políticas de restabelecimento; e quase R$ 9 bilhões para reconstrução. por O SUL
- Nasa divulga imagens de satélite que mostram dimensão da tragédia no Rio Grande do Sul
A Nasa, agência espacial ligada ao governo dos Estados Unidos, divulgou imagens captadas por satélite que mostram a dimensão da tragédia provocada pelas chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde a semana passada. A imagem mais recente mostra os rios Jacuí, Sinos e Caí completamente inundados, com a água extravasando por uma área extensa a partir dos leitos. As águas barrentas chegam ao lago Guaíba e à lagoa dos Patos. O transbordamento desses grandes rios provocaram grandes enchentes em municípios da região metropolitana. Além da capital gaúcha, as imagens de satélite mostram cidades como Canoas, Guaíba e Eldorado do Sul embaixo d’água. Até o início da noite desta quinta-feira (9), aumentou para 107 o número de mortes provocadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, de acordo com balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual. Pelo menos 134 pessoas estão desaparecidas e 754 ficaram feridas. Quase 400 mil encontram-se desalojadas ou desabrigadas. No total, 431 municípios do Estado registraram danos em razão dos temporais dos últimos dias. Conforme o boletim da Defesa Civil, mais de 1,7 milhão de pessoas foram afetadas pelas cheias que assolam o RS. Cidades destruídas “O comportamento das chuvas mudou. Eu tenho feito um levantamento e já percebi que de 2013 pra frente nós temos um acumulado de precipitação [chuvas] no mês de mais de 300 ml. A minha pergunta é: o que nós, por exemplo, na Defesa Civil, temos programado para prever essas possibilidades? Em algum momento, vamos começar a ver [inundações] em áreas em que a água não chegava com tanta frequência e vamos lembrar disso que estamos falando aqui.” O alerta acima, feito em junho de 2022 durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Pelotas e apontado em vídeos nas redes sociais como “profecia” à luz das inundações que já deixaram pelo menos 90 mortos no Rio Grande do Sul, é do ecólogo Marcelo Dutra da Silva, doutor em ciências e professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Na ocasião, durante um debate sobre mudanças climáticas, o pesquisador chamava atenção para o fato de que muitas cidades gaúchas estavam totalmente despreparadas para chuvas extremas: não sabiam quais eram suas áreas de risco, quais regiões eram vulneráveis a inundações, ou quem seriam os primeiros moradores do estado a serem atingidos pelas águas. “Não podemos impedir que o evento climático ocorra, nem os próximos, porque eles vão acontecer. Mas dá para sermos mais resilientes a isso? Dá. Talvez se nós já tivéssemos afastado as pessoas das áreas de maior risco. É possível saber onde o evento se torna mais grave primeiro”, pondera, acrescentando que um planejamento ambiental teria tornado possível, por exemplo, retirar moradores das áreas mais vulneráveis com antecedência. POR O SUL
- Chuvas no RS: Cotrijal destina 18 toneladas de doações para os municípios afetados
Em menos de uma semana, a campanha solidária da Cotrijal recebeu mais de 18 toneladas de doações para os gaúchos afetados pelas chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. Na quarta-feira, 8 de maio, quatro caminhões da cooperativa entregaram os itens arrecadados para a Defesa Civil do estado em Passo Fundo, que fará a distribuição para os municípios em situação de calamidade pública. A ação é um reflexo dos dois principais valores da Cotrijal: cooperação e confiança. Como a maior cooperativa agropecuária do Rio Grande do Sul, a instituição não mede esforços para contribuir como o povo gaúcho e ajudar a amenizar a dor diante deste momento tão difícil. “A Cotrijal se solidariza com todos os afetados por essa tragédia em nosso querido Rio Grande do Sul. Participamos dessa grande mobilização solidária e continuaremos fazendo quantas ações forem necessárias para auxiliar a todos. Não vamos trair a confiança do povo gaúcho e vamos emprestar nossa força para aqueles que mais precisam, pois somente juntos conseguiremos seguir adiante”, afirma o presidente da Cotrijal, Nei César Manica. Com a mensagem “cooperar nunca foi tão importante”, a campanha segue ativa e recebendo doações, sem previsão para término. Além da arrecadação de itens de primeira necessidade, a Cotrijal também disponibiliza a chave Pix “cotrijal@cotrijal.com.br” para doações em dinheiro. Antes de realizar a operação, confirme se o nome da conta é “Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial” e se o banco destinatário é o Banrisul. A cooperativa avaliará as localidades que mais necessitam de apoio para destinar os recursos arrecadados. Como ajudar? Você pode ajudar ao doar os itens de primeira necessidade, como: • Água mineral • Alimentos não perecíveis (arroz, lentilha, macarrão, leite, açúcar, biscoitos e enlatados) • Itens de higiene pessoal (sabonete, creme dental, fraldas descartáveis, absorventes e papel higiênico) • Produtos de limpeza (detergente, esponjas, vassouras, sacos de lixo e panos de chão) • Roupas (principalmente peças íntimas e agasalhos) • Cobertores • Colchões • Travesseiros • Toalhas A cooperativa solicita que as peças de vestuário sejam identificadas por tipo e tamanho, para facilitar a identificação no momento da triagem. Além disso, calçados devem ser amarrados para não ocorrer a separação dos pares. Onde doar? As unidades com atendimento ao produtor, lojas e supermercados da Cotrijal estão recebendo os donativos. Neste link você confere as localizações em cada município: http://encurtador.cotrijal.com.br/Unidades. A Cotrijal está recebendo donativos em: • Água Santa • Almirante Tamandaré do Sul • Arvorezinha • Barros Cassal • Candelária • Capão Bonito do Sul • Carazinho • Casca • Charrua • Colorado • Coqueiros do Sul • Coxilha • Cruz Alta • Encruzilhada do Sul • Ernestina • Erechim (Capo Erê) • Esmeralda • Estação • Fontoura Xavier • Ibirapuitã • Lagoa dos Três Cantos • Lagoa Vermelha • Lagoão • Marau • Mato Castelhano • Mormaço • Muitos Capões • Não-Me-Toque • Nicolau Vergueiro • Nova Alvorada • Pantano Grande • Passo Fundo • Rio Pardo • Saldanha Marinho • Sananduva (Três Pinheiros) • Santo Antônio do Palma • Santo Antônio do Planalto • Sertão • Soledade • Tapejara • Tio Hugo • Tunas • Vera Cruz • Victor Graeff • Vila Lângaro • Vila Maria
- Reconstruir infraestrutura atingida por chuvas no RS custará R$ 19 bi
Técnicos do governo do Rio Grande do Sul estimam que a restauração da infraestrutura pública atingida pelas consequências das fortes chuvas que atingem o estado desde o último dia 26 custarão ao menos R$ 19 bilhões. Segundo o governador Eduardo Leite, a estimativa é baseada em “cálculos iniciais”, ou seja, o montante necessário pode ser superior ao anunciado na manhã desta quinta-feira (9). “São necessários recursos para diversas áreas. Insisto: o efeito das enchentes e a extensão da tragédia são devastadores”, informou Leite, nas redes sociais. Ainda de acordo com o governador, os cálculos, bem como as ações já delineadas para responder à situação de calamidade pública no estado serão detalhados ainda hoje (9). “Vamos detalhar as ações projetadas que contemplariam as nossas necessidades.” Tragédia em números Segundo a Defesa Civil estadual, ao menos 107 pessoas já morreram devido a efeitos adversos das chuvas, como inundações, alagamentos, enxurradas, deslizamentos, desmoronamentos e outros. Cento e trinta e seis pessoas estão desaparecidas. Pouco mais de 1,47 milhão de pessoas foram de alguma forma afetadas, em 425 municípios atingidos. Em todo o estado, ao menos 164.583 pessoas foram desalojadas, tendo que buscar abrigo nas residências de familiares ou amigos. Muitas delas seguem esperando que o nível das águas baixe para poder retornar a suas casas. Outras 67.542 pessoas ficaram desabrigadas, ou seja, sem ter para onde ir, precisaram se refugiar em abrigos públicos municipais. POR AGÊNCIA BRASIL
- Governo cria malha aérea emergencial para atender o Rio Grande do Sul
O Ministério de Portos e Aeroportos anunciou nesta quinta-feira (9), em Brasília, a disponibilização de uma malha aérea emergencial com 116 voos comerciais semanais para atender a população do Rio Grande do Sul, afetada por fortes chuvas e enchentes, que obrigaram o fechamento, por tempo indeterminado, do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, que permanece com pista, pátio e saguão completamente alagados. Antes do fechamento, o aeroporto da capital gaúcha estava entre os 10 mais movimentados do país e representava quase 90% do volume de passageiros transportados em todo o estado. Segundo o ministro Sílvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos, dos 12 aeroportos existentes hoje no Rio Grande do Sul, seis terminais farão parte do plano emergencial, com ampliação de voos e número de passageiros, além da Base Aérea de Canoas, na região metropolitana, que se tornou o principal centro logístico para a chegada de cargas e operações de resgate, e que poderá receber cinco voos comerciais diários e até 35 por semana. Ao todo, segundo o governo, serão 53 voos semanais operando nos aeroportos de Caxias do Sul, Santo Ângelo, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria e Uruguaiana, no interior do estado. Além disso, os aeroportos de Florianópolis, Chapecó e Jaguaruna, em Santa Catarina, também farão parte do plano para apoio à população do Rio Grande do Sul, com ampliação de frequências e número de assentos. Os aeroportos regionais gaúchos e catarinenses estão operacionais e as principais companhias aéreas estão disponibilizando a venda de bilhetes para os novos voos. As principais ligações aéreas, nessa primeira fase, serão os aeroportos de Guarulhos, na Grande São Paulo, e Viracopos, em Campinas (SP), além do aeroporto Afonso Pena, em Curitiba. O Ministério de Portos e Aeroportos explicou que a malha aérea emergencial amplia de sete mil para 13 mil os assentos semanais em voos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O volume representa uma fração do que o Aeroporto de Porto Alegre ofertava quando estava em funcionamento, transportando 100 mil passageiros por semana. "Nós vamos avançar na aviação regional. Naturalmente, conforme a demanda da população, a gente vai ampliando o número de voos regionais, para que a sociedade brasileira, sobretudo o povo do sul, possa ter acesso aos voos que são tão importantes para o estado", afirmou o ministro Sílvio Costa Filho. Canoas O início dos voos comerciais para a Base Aérea de Canoas ainda não tem data marcada e deve levar, pelo menos, alguns dias. A operação será toda coordenada pela Fraport, a concessionária que administra o aeroporto de Porto Alegre. "A Fraport assumiu a operação, está estruturando o aeroporto [de Canoas], o que vocês sabem que leva alguns dias. E a gente espera que a Fraport possa o quanto antes iniciar os cinco voos diários", explicou o ministro. A estruturação inclui montagem da logística, adaptação do terminal de passageiros, montagem de equipamentos de raio-X, escadaria de acesso a aeronaves, segurança e logística de bagagens, entre outros serviços essenciais para a aviação civil. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que atuou na construção do plano emergencial, informou que as principais companhias áreas do país estão interessadas e envolvidas na operação da nova malha aérea. "Todas as empresas aéreas - Gol, Latam e Voepass - operam nessas seis bases [aeroportos regionais] que foram apresentadas, e têm interesse de operar, também, dentro da viabilidade operacional de segurança, na base área de Canoas, quando isso estiver regularizado para operação regular", afirmou Jurema Monteiro, presidente da entidade que representa as aéreas. Malha emergencial Veja como fica a malha aérea emergencial no Rio Grande do Sul e Santa Catarina: Aeroporto de Caixas do Sul (RS) | 25 voos semanais Aeroporto de Santo Ângelo (RS) | 2 voos semanais Aeroporto de Passo Fundo (RS) | 16 voos semanais Aeroporto de Pelotas (RS) | 5 voos semanais Aeroporto de Santa Maria (RS) | 2 voos semanais Aeroporto de Uruguaiana (RS) | 3 voos semanais Base aérea de Canoas (RS) | 35 voos semanais Aeroporto de Florianópolis (SC) | 21 voos semanais Aeroporto de Jaguaruna (SC) | 7 voos semanais Aeroporto de Chapecó (SC) | aumento de capacidade da aeronave
- Número de desalojados dobra em 24 horas no Rio Grande do Sul
A quantidade de pessoas desalojadas no Rio Grande do Sul mais que dobrou em 24 horas, passando de mais de 163 mil nessa quarta-feira (8) para 327.105 nesta quinta-feira (9), conforme o último boletim da Defesa Civil estadual, com dados divulgados às 18h. São pessoas que tiveram, em algum momento, deixar suas casas e buscar abrigo nas residências de parentes, amigos ou em abrigos públicos. Os abrigos do estado receberam 68.519 pessoas. No total, 1,74 milhão de gaúchos já foram afetados de alguma forma pelas enchentes, ou seja, perderam casas, estão sem luz, água ou comida. Em relação aos municípios atingidos, o número chega a 431, o equivalente a mais de 80% das cidades do estado. As mortes causadas pelas chuvas chegam a 107. Há 134 desaparecidos e 754 feridos. Chuva e frio As autoridades estão em alerta para agravamento da situação no estado. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas fortes no Rio Grande do Sul a partir desta sexta-feira (10). A expectativa é de que se prolongue até o domingo (12) com maior intensidade entre o centro-norte e leste do estado, incluindo o litoral norte e o sul de Santa Catarina. O nível do rio Guaíba está abaixo dos 5 metros, porém os rios do sul do estado começaram a subir e transbordar.
- Estragos no campo vão da lavoura à pecuária e isolam propriedades inteiras no RS
O levante de estragos movido pela enchente devastou cidades inteiras no Rio Grande do Sul e parte importante da agropecuária gaúcha. Os impactos nas zonas rurais são tantos que sequer conseguem ser precisamente mapeados, mas já dão pistas de um cenário duro de perdas. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estima prejuízos de R$ 570 milhões na produção —R$ 435 milhões no setor agrícola e R$ 134,7 milhões na pecuária. A Emater-RS ainda não tem dados sobre a dimensão dos estragos. E isso se dá pela própria dificuldade de se ter acesso às informações. Há muitas propriedades rurais que estão completamente isoladas no Estado. — Quantificar, neste momento, é completamente inviável em razão do tamanho do problema, principalmente nos locais mais afetados. Estradas rurais estão com bastante dificuldade de acesso e os técnicos precisam conseguir chegar aos locais — situa o diretor técnico da instituição, Claudinei Baldissera. Mas já se sabe que os impactos vão das lavouras à pecuária de corte e de leite. Em pontos aonde a água não chegou, a dificuldade de acesso viário afetou a alimentação de animais, impedindo o transporte de ração. Em outros pontos afetados pela falta de luz, o apagão inviabilizou a produção de leite e milhares de litros foram jogados fora. O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS) projeta que até 40% da coleta diária de leite foi afetada no Rio Grande do Sul. — O impacto é o pior possível, nunca vimos isso acontecer — descreve o presidente da Federação a Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira. A federação está em contato com os sindicatos rurais para mapear onde são necessários os esforços neste momento em que os resgates ainda são prioridade. Uma avaliação real sobre os danos deve ser feita posteriormente. Safra de verão em curso Na agricultura, os prejuízos atingiram em cheio algumas produções de folhosas e hortifrútis em geral, principalmente na serra gaúcha. Na soja, principal cultura de produção no Estado, os danos mais severos estão localizados no Litoral, em toda a faixa que se estende de Torres a Santa Vitória do Palmar. O progresso na colheita do grão chegou a 78% nesta semana. Ainda faltam 1,46 milhão de hectares a serem colhidos. Desta parcela que resta, boa parte deve resultar em grãos de qualidade inapropriada. Segundo Baldissera, espera-se uma quebra de 20% a 100% (com perda total da lavoura) nos locais de colheita tardia em que a enchente chegou com força, sobretudo nas regiões de Santa Maria e na zona Sul. Para o presidente da Farsul, as expectativas de recorde de produção nesta safra, por óbvio, não devem ser batidas diante das perdas. Ainda assim, o resultado colhido deve ser superior ao ciclo passado, ainda impactado pela recuperação da estiagem. Isso porque no Norte, importante região produtora, a colheita do grão já havia avançado. — Olhando o copo meio cheio, temos municípios que já haviam colhido praticamente tudo. Uma fração preponderante já estava garantida. Com certeza, ainda que considerada a quebra no que não foi colhido, a curva comparativa será superior ao ano passado. Este é o lado bom da notícia — acrescenta o diretor técnico da Emater. No arroz, que tem no RS 70% de toda a produção nacional, as lavouras estão 84,2% colhidas, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), reduzindo a dimensão de impacto. Das áreas que foram afetadas, estima-se 22,95 mil hectares totalmente perdidos, a maior parte na Região Central. Efeitos a longo prazo As estimativas sobre as perdas totais no campo vão sendo traçadas à medida que se conhece a situação. O economista e membro do Insper Lucas Borges cita estudos que falam em 1,5 milhão de toneladas de produção perdidas pela cheia. Os números não são definitivos e tendem a aumentar. Há ainda preocupação com o que sequer pôde ser mensurado, como os estragos em infraestrutura e os efeitos disso em logística. — O problema é muito grande porque vai impactar não só o Brasil, mas também outros países por tudo o que o Rio Grande do Sul abastece — antecipa o pesquisador. Antes mesmo do dano em produção, as entidades do setor atentam para o impacto social que a enchente trouxe para o campo. Há muitos agricultores que perderam tudo o que tinham. O cenário é “devastador”, nas palavras do diretor técnico da Emater. — Nosso papel fundamental é a assistência social rural. Será o nosso foco prioritário. Olhar para as pessoas para que elas sintam que a atividade agrícola, ainda que com todas as intempéries, seja vista como importante — reforça Baldissera. POR GZH
- ACINT realizada campanha para ajudar vítimas das chuvas
A Associação Comercial e Industrial de Não-Me-Toque (ACINT) está unindo esforços para apoiar os afetados pelas recentes chuvas no Rio Grande do Sul. Neste momento a comunidade pode colaborar doando itens essenciais como rodo, vassoura, pano, balde, produtos de limpeza, leite, água, travesseiro, roupa de cama e itens de higiene. Se preferir, também é possível fazer uma doação em dinheiro via PIX para acint@modelonet.net. Com os recursos arrecadados, compraremos os materiais mencionados para distribuição. Junte-se a nós nesta corrente solidária e vamos ajudar aqueles que mais necessitam. Cada gesto faz a diferença! Para mais informações e maneiras de ajudar, entre em contato pelo telefone 54 9 9103-8272.





































