top of page

Com mais de 3milhões de inscritos, passo-fundense tem um dos maiores canais de matemática do YouTube

Com mais de 3 milhões de inscritos no YouTube, o passo-fundense Daniel Ferretto ganhou destaque ao se tornar o dono do maior canal de matemática do Brasil e da América Latina. Natural de Passo Fundo, a notoriedade nas redes veio através do seu jeito cordial, simples e fácil de ensinar a disciplina, que é uma das mais "temidas" pelos estudantes brasileiros.


No país, 95% dos alunos de escolas públicas do país terminam o Ensino Médio com desempenho abaixo da média em Matemática. Segundo o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), em 2019 só 5% dos estudantes do terceiro ano conseguiam resolver problemas usando probabilidade ou o Teorema de Pitágoras, por exemplo. A tendência é que a lacuna seja ainda maior depois da pandemia, por causa das fragilidades deixadas pelo ensino remoto


Ferretto entende a preocupação dos estudantes e, por isso, se dedica às aulas de forma prática e objetiva, mostrando como a matemática está longe de ser um bicho de sete cabeças. Nos comentários do YouTube, os usuários elogiam sua forma de explicar o conteúdo. "Simplesmente didática, traz com uma linguagem do dia a dia que não fica uma explicação pesada, mas gostosa de ser estudada", disse o usuário Davi em um vídeo que esclareceu uma questão do Enem.  

Sua paixão pela matemática vem desde cedo, ainda quando morava em Passo Fundo. Mesmo assim, nem sempre foi fácil compreender a disciplina. No Ensino Médio, ele também enxergava os cálculos como um "enigma indecifrável". Mas a motivação para ingressar na faculdade e nos concursos que fizeram com que fizesse as pazes com os números. 


A vocação para ser professor, porém, só foi descoberta em 1998, quando cursava Engenharia de Controle de Automação na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). À época, Professor Ferretto, como é conhecido hoje, buscava dinheiro extra para se manter em Florianópolis e, como se dava bem com os cálculos, buscou emprego em um cursinho comunitário. 

A experiência foi tão enriquecedora que não demorou para Ferretto trocar de curso: nos anos seguintes, ele fez vestibular para Matemática, também na UFSC, e passou a trabalhar como professor em cursos pré-vestibulares de Santa Catarina.

Virada de chave 

A rotina nos cursos passou a ficar extenuante e, buscando mudar de vida, Ferretto foi aprovado em um concurso da Polícia Federal em 2012. No ano seguinte, já nomeado, foi designado para uma missão em Ji-Paraná, no estado de Rondônia, onde teve o primeiro contato com os canais do YouTube. 

Na época, ele entendeu que poderia continuar ensinando matemática, mas sem necessariamente estar em sala de aula. E, em 2 de abril de 2014, publicou seu primeiro vídeo, depois de um ano elaborando como seria o trabalho, aprendendo sobre edição de vídeo, microfones e câmeras. 

Ferretto segue com aulas gratuitas no YouTube além de conteúdos pagos em plataforma exclusivaGZH Passo Fundo / Divulgação

—A matemática sempre foi uma das minhas paixões e por isso tive a ideia de permanecer próximo a essa disciplina, auxiliando milhares de alunos. Inicialmente, não tinha a intenção de formar um canal substancial, pois, naquela época, a educação no YouTube estava engatinhando. Não imaginava que o canal iria ultrapassar a marca de 300 ou 400 inscritos—contou em entrevista a GZH

Nos dois primeiros anos, Ferretto produzia para o YouTube e trabalhava como policial federal. Depois, ficou impossível conciliar. A audiência explodiu e ele viu ali outra oportunidade de negócio: fundou uma plataforma paga aos estudantes que se preparam para concursos e vestibulares. E não só na matemática: hoje, além dele, outros 12 professores de todas as disciplinas do Ensino Médio oferecem aulas, exercícios e simulados. 

Mesmo assim, seu trabalho no YouTube continua com os conteúdos gratuitos. No Enem 2023, por exemplo, ele resolveu diversas questões da prova de Ciências Exatas, onde esclareceu dúvidas e mostrou o raciocínio por trás de cada resposta. 

—A proposta é adaptar o ritmo de aprendizado de cada aluno. Diferentemente da abordagem tradicional em sala de aula, em que todos os alunos recebem o mesmo ensinamento, aqui cada aluno aprende em sua própria velocidade — pontuou Ferretto. 

GZH faz parte do The Trust Project



POR GZH

Comments


bottom of page