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Livros novos do MEC viram papel higiênico no RS enquanto alunos ficam sem material em sala de aula

Sobra onde não precisa. Falta onde é essencial. E o dinheiro público vai para o lixo.


Três meses após o início do ano letivo, escolas públicas do Rio Grande do Sul vivem uma contradição difícil de explicar: enquanto algumas unidades acumulam livros didáticos que nunca foram solicitados — muitos ainda lacrados — outras enfrentam escassez de materiais básicos como Química, Física e Biologia.


O destino dos livros excedentes? Galpões de reciclagem — onde viram papel higiênico.


O problema na prática

Em Capão da Canoa, no Litoral Norte, um funcionário de escola relatou a chegada constante de grandes volumes de material: "A gente não tem mais nem espaço para colocar. Está pelos corredores, na biblioteca, no ginásio. E continua chegando."


Em Montenegro, o empresário do setor de reciclagem João Dias mostrou, na prática, o que acontece com esse excesso: pacotes lacrados de livros de Ciências Humanas prontos para serem triturados e reaproveitados como matéria-prima.


"Nós fizemos uma reportagem sobre isso em 2019 e nada mudou. Continuamos com o mesmo problema. Isso aqui é dinheiro público", desabafou.


O mesmo cenário se repete na outra ponta. Na Escola Estadual de Ensino Médio Adão Martin, também em Montenegro, a diretora Anne Priscila Nunes Maciel relatou que em abril ainda não havia recebido livros de Química, Física e Biologia — enquanto recebia materiais de Educação Física e Arte que nem havia solicitado.


"Esse excesso para mim é desnecessário. Isso é dinheiro público jogado fora", criticou.


Sem os livros, a escola banca cópias xerografadas para não prejudicar os alunos — que também perdem a chance de levar o material para casa e aprofundar os estudos. "Ano passado, a gente não recebeu nenhum livro do Ensino Médio. Nenhum", revelou a diretora.


O que dizem os responsáveis

O MEC informou que o envio é feito com base nas escolhas das próprias escolas e nos dados do Censo Escolar, e que utiliza modelos estatísticos e inteligência artificial para melhorar as estimativas de distribuição.


A CGU informou que realiza auditorias sobre o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) desde 2019.


O problema, porém, completa sete anos sem solução.



 
 
 
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